Museu
Uma tarde no museu

Uma tarde no museu

Espaço que já serviu de morada para dezenas de governadores de Alagoas, o Palácio Floriano Peixoto abriga hoje um museu aberto diariamente (com exceção das segundas-feiras) à visitação e em cujo acervo estão não apenas mobiliário original, mas também obras de arte – com destaque para quadros do pintor Rosalvo Ribeiro – e exposições temporárias.

Com projeto assinado pelo arquiteto italiano Luigi Lucarini (responsável por boa parte das principais edificações da paisagem urbana da capital alagoana, como o prédio do Tribunal de Justiça, a antiga Intendência Municipal e o Teatro Deodoro, além do Teatro Sete de Setembro, em Penedo), o prédio do Palácio Floriano Peixoto possui estilo neoclássico.

O blog Graciliano on line passou uma tarde no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa), localizado no Centro de Maceió (na praça mais conhecida como praça dos Martírios), e apresenta o circuito que o visitante percorrerá. Confira.

HALL

(Fotos: Elayne Pontual)

BUSTOS

Logo após o hall de entrada, um armário de vidro guarda os bustos dos ex-governadores do Estado do período republicano, já que o prédio é a antiga sede do governo e residência oficial dos governadores.  O palácio começou a ser construído em 1893, durante o governo de Gabino Besouro, mas só foi inaugurado em 1902, no governo de Euclides Vieira Malta. Todos os governadores passaram pelo palácio até o ano de 2006, quando a nova sede do governo foi inaugurada, a República dos Palmares. A antiga sede passou a ser Museu Palácio Floriano Peixoto, onde hoje também funciona a Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

ROSALVO RIBEIRO

No primeiro andar do prédio, que era a residência oficial dos governadores, encontra-se uma galeria, composta por 21 telas, de Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro, pintor, escritor, músico e professor alagoano. No mesmo andar, tem-se acesso ao antigo salão de despacho ou sala de reuniões, que ainda é utilizada pela atual sede do governo. Uma raridade no local é o teto marchetado (técnica de encaixe sem a utilização de pregos). Na parede estão dispostas, ordenadamente, fotografias dos ex-governadores do Estado, incluindo a do atual governador Teotonio Vilela Filho e um quadro do pintor alagoano Pierre Chalita.

BOM APETITE

Entre cristais e pratarias, eram realizados os banquetes em um salão onde, ainda hoje, acontecem alguns eventos. Nele, o atual governador, vez ou outra, dá uma parada para o almoço. Passeando pelo salão, é notável a presença de dois objetos semelhantes a um troféu: são os samovars, utensílios russos onde se serviam chás durante o século 18. As gárgulas também chamam atenção. Esculpidas em madeira nobre, elas cumpriam o papel de guardiãs do patrimônio, segundo crenças da época.

LÊDO IVO

Aos 88 anos, Lêdo Ivo, escritor e poeta alagoano, tem o privilégio de visitar sua própria história. Inaugurado em 2010, o Memorial Lêdo Ivo, espaço projetado no Mupa com curadoria da historiadora Leda Almeida, é o reflexo da visão do poeta sobre a capital alagoana. Com três salas, só o memorial já vale a visita ao Mupa.

A primeira sala brinca com a percepção do visitante: através de um jogo de espelhos é possível ler alguns poemas, que, na parede, estão escritos de forma inversa – só é possível lê-los, sem dificuldade, se direcionarmos o olhar para o espelho. Entre os espelhos, Lêdo conta, em vídeo, a sua história.

A segunda sala apresenta uma cronologia da vida do poeta, com as datas mais importantes na carreira como escritor e como jornalista. No acervo estão presentes a certidão de nascimento (que possui apenas o primeiro nome, porque colocar sobrenome era opcional na época em que seu pai o registrou), livros e medalhas.

Na sala do farol, como é mais conhecida, ao barulho do mar, o visitante pode apreciar, além da calma, um pouco da infância de Lêdo. De acordo com a monitora do museu, Magdally Costa, quando era pequeno, Lêdo Ivo brincava embaixo do farol e os primeiro versos que criou são alusivos ao mar, ao barulho das ondas, ao cheiro da maresia. O farol é composto por sonetos do escritor e fotografias de Leda Almeida e Gilvan Rodrigues, todas relacionadas a algumas passagens dos sonetos.

Além da área que expõe alguns prêmios conquistados por Lêdo, como o Jabuti de 2001, com a obra Rumor da Noite, em outra sala é possível contemplar o criativo “curral de livros”, uma referência à obra do autor intitulada Curral de Peixe. Na sala, o visitante  pode pescar livros e apreciá-los à vontade.

O HOMEM DICIONÁRIO 

Outro gênio alagoano homenageado pelo museu foi Aurélio Buarque de Holanda Ferreira que, com seu trabalho de lexicógrafo, publicou o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, ou simplesmente Aurélio. Na sala, estão presentes fotografias e algumas fichas com os primeiros verbetes elaborados no início da produção do dicionário. Assim, o visitante entra em contato com os bastidores do dicionário mais popular do Brasil.

No painel onde estão pendurados os verbetes, Lêdo Ivo faz uma declaração sobre o amigo: “Aurélio Buarque de Holanda Ferreira não nasceu para fazer dicionário, e sim para ser um dicionário. Para ser o Aurélio, uma galáxia de palavras”.

Assim como Lêdo, o espaço dedicado a Aurélio também traz uma linha do tempo: ela abrange desde o nascimento, as rodas literárias, a formação acadêmica, a diretoria do Teatro Deodoro, os almoços que oferecia em homenagem a colegas como Graciliano Ramos, o casamento em 1945, o nascimento dos filhos, até sua morte, em 1989.  O alagoano se preocupou ainda em deixar registrado, em um manuscrito de quatro páginas, a fórmula para a construção de um dicionário. Nele, Aurélio diz que é preciso ser um psicólogo das palavras: entendê-las e, ao mesmo tempo, não se prender a elas.

 

SERVIÇO

O quê: Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa)

Onde: Praça Mal. Floriano Peixoto, 517 – Centro –  Maceió/AL

Horário de funcionamento: terças, quintas e sextas, das 8h às 17h. Quartas, das 8h às 21h. Sábados, domingo e feriados, das 13h às 17h.

Mais informações: (82) 3315-7874 / (82) 8833-5880 / Fax: 3315-7875

Entrada gratuita

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