Cinema
Pedro da Rocha e a Caeté Filmes

Pedro da Rocha e a Caeté Filmes

Foi em 1986 que começou a obsessão do cineasta Pedro da Rocha (foto acima) pelo filme A volta pela estrada da violência, filmado em 1970 pela produtora alagoana Caeté Filmes do Brasil. Do longa participaram atores vindos do Rio de Janeiro, um assistente de direção alagoano, Adnor Pitanga, e centenas de figurantes desprevenidos que apareceram por acaso nas locações.

Filmado em diversas cidades de Alagoas, entre elas Maravilha e Santana do Ipanema, ambas no sertão do Estado, o longa foi um dos poucos que ganhou distribuição e exibição nacionais.

O alagoano Adnor Pitanga foi assistente de direção do longa “A volta pela estrada da violência”

O tempo passou, as cópias ficaram cada vez mais raras, mas o ímpeto do diretor não diminuía. Aquele longa o intrigara. Pedro da Rocha aproveitou o edital de incentivo à produção audiovisual da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) desse ano e engatou um projeto para o documentário Memórias de uma saga Caeté, que colheu informações e depoimentos sobre a  produtora – ainda em funcionamento – Caeté Filmes do Brasil. A previsão é de que o documentário seja lançado em agosto, assim como os outros quatro filmes selecionados e financiados pela Secult.

Além de A volta pela estrada da violência, a produtora alagoana filmou em 1982 uma pornochanchada, Mulheres liberadas, além de diversos cinejornais que deram gás e grana para mantê-la atuante.

Após ter sido escolhido, Pedro começou as investigações. Conversou com o dono da empresa, José Wanderley Lopes, e com o alagoano que participara das filmagens, Adnor Pitanga.Viajou até o sertão para entrevistar os figurantes do filme e registrar na telona as memórias perdidas dessa saga.

A ideia inicial de Pedro era realizar um documentário sobre a Caeté Filmes do Brasil, mas, ao perceber a riqueza do material que tinha em mãos, resolveu direcionar o foco para o filme A volta pela estrada da violência.

Reprodução de uma das cenas do filme “A volta pela estrada da violência”

Filmado em 1970 em duas cidades do sertão de Alagoas, o filme se tornou um acontecimento para a memória dos habitantes de Maravilha e Santana do Ipanema, além de ser um marco para a cinematografia alagoana, como aponta o livro do pesquisador em cinema Elinaldo Barros, Panorama do cinema alagoano.

“A cena do pistoleiro em cima do andor é, para mim, uma das mais impactantes da história do cinema”, revela Pedro da Rocha sobre uma das mais emblemáticas cenas do filme.

Enredo

A volta pela estrada da violência foi filmado em preto e branco –  o que prejudicou sua exibição nas salas de cinema do Brasil – e conta com elementos típicos do cinema novo. O sertão condensado em uma trama com coronéis, assassinatos, vingança e miséria dá o tom ao filme.

Nele, o fazendeiro Alberto Lopes proíbe que pessoas da região seca do sertão utilizem um fonte de água que ficava em suas propriedades. Geracina e seus três filhos violam a cerca criada e dão água ao cavalo da família. Com a violação, Lopes mata o filho mais velho de Geracina, que apela para a justiça, mas o juiz, comprado pelo fazendeiro, o absolve. Quando o filho caçula atinge a maioridade, vai em busca da vingança e monta um bando de jagunços.

O lançamento do filme aconteceu em 1971, no cinema São Luiz

Os papéis principais do filme foram feitos por atores profissionais vindos do sudeste, mas os secundários e a figuração foi toda abastecida por moradores das cidades sertanejas.

Entre pesquisa e filmagem, Pedro da Rocha fez várias viagens. Com a ajuda do historiador Marcelo Fausto, da cidade de Santana do Ipanema, Pedro procurou pessoas que tinham participado das filmagens. “Lá, nós fizemos uma sessão do filme para cerca de 20 pessoas. Muitos que tinham participado do filme nunca tinham se visto”, conta o cineasta.

Além de Memórias de uma saga Caeté, Pedro da Rocha está finalizando um curta ficcional intitulado Sol encarnado. E promete só lançá-lo em dezembro, no Cine Sesi, na Pajuçara, em uma noite de gala.

 

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2 Comentários

  1. JERÔNIMO FARIAS

    9 novembro 2013 at 9:21

    LEMBRANDO ESSE FILME TAMBÉM TEVE CENAS NO MUNICÍPIO DE ATALAIA FILMADAS NA USINA BRASILEIRO E MINHA TIA MARGARIDA ERA FIGURANTE…

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  2. Manoel Nepomuceno Agra

    13 novembro 2016 at 1:21

    Meu pai Alberto Nepomuceno Agra foi o juiz.

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