Cultura popular
Sob nova direção

Sob nova direção

A ideia de criar uma instituição responsável pela proteção e divulgação do folclore alagoano surgiu em dezembro de 1985, quando cinco mestres da cultura popular, preocupados com o futuro dos folguedos e danças do Estado, foram ao encontro do então diretor de Difusão Cultural da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), o professor Ranilson França.

A partir da paixão que os mestres e o próprio Ranilson nutriam pelas manifestações populares, nascia, em 1986, a Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal) que, daí por diante, seria a representante dos principais grupos de folguedo do Estado.

Em janeiro de 1987, com sede provisória na Secult, a Asfopal teve sua primeira eleição e quem assumiu o cargo de presidente da associação foi o coordenador do guerreiro Treme Terra, Wilson Correia. Em março do ano seguinte, Wilson renunciaria ao cargo, sendo substituído por Ranilson França que faleceu em 14 de agosto de 2006, vítima de câncer. Os  sucessores do fundador e ex-presidente da instituição foram o Mestre Juvêncio, Josefina Novaes e Suely Santos Silva.

No ano em que comemora 27 anos de existência, a Asfopal deu posse, no dia 4 de julho deste ano, à nova diretoria eleita, com mandato de três anos – já visando as comemorações dos 30 anos de fundação, em 2015 – , liderada pelo jornalista e produtor cultural Keyler Silva Simões (presidente/foto acima) e pelo mestre de coco de roda e maracatu Geraldo José (vice-presidente).

Encontro de mestres associados da Asfopal, nos anos 1990

Keyler Simões, 37, é formado em Jornalismo há 14 anos, produtor cultural há 19 e tem acompanhado, desde 2000, o trabalho desenvolvido pela instituição. “É por conhecer esse universo que sei onde estão os problemas e onde encontrar as soluções, unindo minha experiência como jornalista e como produtor cultural. Quando me propus a trabalhar com mestres tinha como foco principal o registro e difusão de seus conhecimentos”, diz, ao admitir que aceitou o cargo não remunerado em respeito à memória de Ranilson França e à própria Asfopal.

Já que agosto é o mês do folclore, a Graciliano Online traz uma entrevista com Keyler Simões,  o novo presidente da Asfopal, que tem driblado dificuldades para manter a assistência e valorização das manifestações culturais do Estado. Confira

GRACILIANO – Você acaba de assumir a presidência da Asfopal, a única instituição alagoana voltada exclusivamente para os folguedos populares, mas que está em uma situação financeira difícil. Por que você aceitou o desafio de comandar a entidade?

KEYLER SIMÕES – Aceitei em respeito à memória de Ranilson França e à própria Asfopal. Tenho afinidade com o trabalho desenvolvido por ambos pelo menos desde 2000 e é por conhecer esse universo que sei onde estão os problemas e onde encontrar as soluções, unindo minha experiência como jornalista e como produtor cultural. Quando me propus a trabalhar com mestres tinha como foco principal o registro e difusão de seus conhecimentos. Daí vieram os projetos do CD “Sonho de Crianças”, da banda de pífanos Esquenta Muié, lançado em 2003; o CD Música Popular Alagoana Vol. I, com Tororó do Rojão, Verdelinho, Nelson da Rabeca e Jurandir Bozo, em 2004; DVD Rabequiê, sobre Nelson da Rabeca, em 2006; O CD Unirversando, da coleção Música Popular Alagoana Vol. II, de Mestre Verdelinho, em 2006; O CD Chau do Capricho, da coleção Música Popular Alagoana Vol. III, de Chau do Pife e o DVD “Esquenta Muié – 30 anos de Pífanos em Alagoas”, da banda de pífanos Esquenta Muié, estes dois em 2008, dentre outros produtos, como o Guia da Cultura Alagoana, Ensaio, que desde 200o privilegia os mestre de cultura popular de Alagoas. Tudo isso pretendo dar continuidade na Asfopal para registrar essa manifestação cultural e difundi-la. É uma oportunidade de, por três anos, poder dar novos rumos à esta entidade que completa 27 anos com total respeito nacionalmente.

Um dos principais problemas referentes à cultura popular em Alagoas é a ausência de um banco de dados atualizado que informe todos os folguedos ativos e os que já existiram no Estado. O que você pretende fazer em relação a isso? Vocês planejam  lançar um site da instituição com essas informações? 

Na verdade, já criamos o blog no último fim de semana, que ainda está sendo alimentado, mas que tem esse objetivo de mapear e divulgar os grupos e mestres alagoanos, até para que se torne mais fácil pesquisá-los e contratá-los para suas apresentações. O endereço é: www.asfopal.blogspot.com

Apesar de ter tomado posse há poucos dias, qual foi sua primeira iniciativa no comando da Asfopal?

Tomei posse há uma semana, no dia 18 de julho, e a primeira iniciativa foi justamente a criação do blog, mas pretendemos já neste mês iniciar o recadastramento e um levantamento na Asfopal para termos conhecimento de sua atual situação.

Como você pretende resolver a questão da sustentabilidade financeira da Asfopal, que tem sido o grande obstáculo da entidade desde que ela foi fundada? 

A Asfopal é uma entidade sem fins lucrativos e, na época em que foi criada, isso não queria dizer muita coisa, mas hoje existem editais e emendas parlamentares voltadas para entidades assim, e é isso que buscaremos. Não há como desenvolvermos ações sem parcerias e sem captar recursos federais, já que em Maceió e em Alagoas não possuímos uma política de incentivo cultural que inclua leis de incentivo, por isso desenvolveremos projetos para captação de recursos.

A Asfopal pretende revitalizar o projeto Engenho de Folguedos, criado pelo seu fundador Ranilson França, que, durante alguns anos, garantiu a apresentação de folguedos, inicialmente no Museu Théo Brandão e depois no Museu Palácio Floriano Peixoto?

O Engenho de Folguedos foi uma das mais interessantes iniciativas de Ranílson, que depois a ex-presidente, Josefina Novaes, tão bem deu seguimento, mas que não se sustenta sem que haja apoio cultural e patrocínio envolvidos, daí a ideia de incluirmos o Engenho em nosso futuro banco de projetos para captação de recursos, locais e nacionais. No último ano, o projeto só aconteceu graças a um convênio assinado com a Secretaria de Estado da Cultura, que já terminou, mas que tentaremos renovar.

Há quase dois anos o conjunto residencial Joana Gajuru, que seria destinado a alguns dos mestres do folclore alagoano, foi invadido. O que a Asfopal pretende fazer em relação a esse problema?

Existe um processo de reintegração de posse do conjunto que está na justiça e vamos à procura de nossos direitos e dos mestres. São 50 casas e mais a sede da Asfopal que estão ocupadas, mas que vamos recuperá-las.

Estamos em agosto. Qual a programação da Asfopal para celebrar o mês do folclore? 

De nossa iniciativa não há como fazer muito, mas marcaremos reuniões com a Fundação Municipal de Ação Cultural e Secretaria de Cultura do Estado para discutirmos uma programação mínima, em parceria.

Você é jornalista e produtor cultural. Pretende dedicar-se exclusivamente ao comando da Asfopal?

O trabalho na Asfopal é voluntário, ou seja, não é remunerado, por isso não tenho como me dedicar exclusivamente. Tenho meus projetos pessoais e meu trabalho como assessor de comunicação do Teatro Deodoro, além de trabalhos que exerço para terceiros como produtor cultural e como assessor, inclusive um deles está em andamento, que é com a professora de dança, Telma César, apoiado pela Funarte e um outro projeto que foi recentemente aprovado pelo edital do BNB Cultural, que foram inscritos no final do ano passado e no início deste ano, e são esses projetos que me permitem exercer trabalhos voluntários para diversos artistas e grupos artísticos alagoanos, tendo meu site (www.balaiodefatos.com) como suporte em divulgação.

 

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