Artes Visuais, Entrevista
A arte de Suel e Lociks

A arte de Suel e Lociks

Nesta sexta-feira (24), às 19h, será aberta a exposição Tête à Tête, que reúne trabalhos dos artistas plásticos Suel e Ulisses Lociks, que expõem na galeria de arte Fernando Lopes, no Cesmac. Ambos apresentam suas produções dos últimos três anos.

Suel é um dos artistas mais conhecidos de Alagoas. Suas pinturas já foram mostradas em diversas exposições pela capital alagoana. Em 2003 e 2005, participou de exposições individuais na Pinacoteca Universitária da Ufal.

Entre os suportes utilizados por ele para suas obras estão  tela, lona e até tapete.

As pinturas feitas por Suel Cordeiro impressionam por seu hiperrealismo (fotos: divulgação)

Já o artista Ulisses Lociks nasceu em Maceió, mas viveu boa parte de sua vida fora de Alagoas. Há três anos ele retornou definitivamente para a terra natal. Para a exposição Tête à tête, Locicks apresentará cerca de 20 obras, a maioria inédita em Alagoas.

Desde cedo influenciado pela arte oriental, o artista aderiu ao uso da tinta nanquim. Com ela, já apresentou seus trabalhos na exposição Galeria Gentil Carioca, no Rio de Janeiro.

A exposição tem curadoria da professora e crítica de arte Caroline Gusmão. Para ela, que além de especialista no assunto é casada com Suel, as obras apresentadas na exposição assumem a contracorrente numa época em que o deleite estético, que necessita, além de outros fatores, de tempo, parece ter sido deixado de lado.

“Os trabalhos expostos nos lembram que a excelência plástica pode ser ainda entrevista como um fator aliado ao prazer estético, tão salutar para o olhar do apreciador”, pontua a curadora.

A escolha dos dois não é aleatória. Apesar de aparentemente divergentes, Caroline percebe um diálogo entre a obra deles. “Se há uma tônica que podemos perceber em comum entre as produções artísticas de Suel e Ulisses, é a adoção de uma abordagem crítica sobre o esfacelamento da beleza desde a arte moderna”, explica .

Desenho de Ulisses Lociks feito a nanquim sobre papel, em 2010 (foto: divulgação)

 

Em meio aos preparativos para  montagem da exposição, Suel concedeu uma entrevista ao blog GRACILIANO.

GRACILIANO – Uma das principais características de seu trabalho é, frequentamente, retratar sua mulher, a arquiteta, professora universitária e crítica de arte Carol Gusmão, que por sinal é curadora da exposição. Cada trabalho é uma declaração de amor?

SUEL – Não, mas sempre fico tentado em usar a imagem dela, pois a conheço de olhos fechados e se é pra se ter uma musa nada melhor que sua amada.

Como é estar casado com uma crítica de arte? Os diálogos sobre arte são uma constante no casamento?

Não necessariamente. Nossas opiniões se combinam muito e basta um olhar para que eu e ela já saibamos a opinião um do outro. O resto da conversa flui como se fosse um monólogo de um narcisista.

Você sempre deixou clara sua posição absolutamente contrária à pichação, recusando-se, inclusive, a chamá-la de arte de rua. Você discorda da ideia de que pichação seria uma forma de expressão?

Eu adoro arte urbana e sempre foi uma grande influência na minha trajetória, mas garranchos incompreensíveis emporcalhando a cidade eu particularmente detesto, principalmente quando sujam o meu trabalho como aconteceu recentemente.

Sua pintura está repleta de referências pop que são também as suas própria referências. Você saberia produzir uma obra que estivesse longe do seu próprio mundo, do que você vive?

Eu faço muitos trabalhos sob encomenda, toda semana é uma coisa diferente e com isso eu me acostumei a pintar de tudo, mas claro que fico mais à vontade dentro do meu pequeno universo.

Como o Suel vê a cidade em que mora? Há beleza em quase tudo?

Ela é linda, mas ninguém cuida dela. É como se fosse uma concubina que todos usam, mas sonham em ir morar em São Paulo (eca!!).

O que a exposição Tête a Tête traz?

Traz um apanhado dos meus últimos trabalhos e do Ulisses Lociks em suportes variados. No meu caso vão de telas, lona e até um tapete. O Ulisses vem com uma série de ótimas xilogravuras e suas matrizes, algumas ilustrações belíssimas e o trabalho de escamação que é o que ele faz com papel aplicado sobre as paredes que, aí sim, acho arte urbana de primeira.

Você saberia dizer quando realmente tudo começou? Houve um dia em que você viu que seria artista plástico, que esse era o seu caminho?

Não sei ao certo quando comecei mas eu era ainda muito jovem e sempre sonhava em fazer o que eu faço hoje.

Já pensou em largar a arte, pensar em dedicar-se a outra área? Nunca bateu alguma vontade assim?

Deus me livre! Eu só mudaria de profissão se fosse para ser um rockstar cheio da grana, kkkk!

O que você ainda não fez na arte que deseja fazer e vai fazer?

Expor fora do País, nem que eu vá de bengala…

 

 SERVIÇO

O QUE: Exposição Tête à Tête

ONDE: Galeria de arte Fernando Lopes, no Cesmac (Rua Cônego Machado, s/n, Farol)

QUANDO: A partir de hoje (24.08) às 19h

* A exposição fica em cartaz até o dia 21 de setembro

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