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Criatividade em papel

Criatividade em papel

Na contramão de um mundo onde o uso da internet é a forma predominante para se comunicar e chamar a atenção dos leitores, um produto literário alternativo conserva em sua essência o trabalho manufaturado e o uso do papel. Considerado o precursor do conceito de blogs, o fanzine ou fanatic magazine nada mais é do que uma publicação de baixo custo editada por um fã de determinado assunto, mas apesar da aparente simplicidade em sua forma e do texto pessoal, o fanzine está muito longe de ser apenas uma revistinha.

O processo de criação de um fanzine é quase um ritual solitário. Normalmente, um único fanzineiro é encarregado de escrever todos os textos, procurar ilustrações, diagramar, imprimir as páginas, grampeá-las e enviar sua publicação para todos os leitores via correio. No meio desse processo, o fanzineiro procura aplicar sua criatividade na linguagem e na concepção gráfica da publicação, tentando atrair ainda mais o leitor.

No Brasil, tanto o surgimento quanto a popularização de fanzines foram tardios. Enquanto o movimento de fanzineiros pelo mundo se inicia nos anos 30, o primeiro fanzine brasileiro surge na década de 1960 editado por Edson Rontani e retratava histórias em quadrinhos da época, influenciado pela temática de outras publicações do exterior. Já a popularização do fanzine no Brasil vem na década de 1980, no auge da cultura punk do ‘faça você mesmo’, quando máquinas fotocopiadoras tornaram o produto mais barato para reprodução. Mesmo com a grande maioria das pessoas se comunicando pela internet ou blogs, o uso do fanzine resiste e encontra mais adeptos.

Em Alagoas, algumas pessoas se aventuram no mundo do fanzine. O contador Erivaldo Mattüs, 24, teve seu primeiro contato com o fanzine ainda jovem quando morava na cidade de Palmeira dos Índios. “Quando tinha 13 anos comecei a me interessar por filmes de terror e comprei algumas fitas VHS de uma produtora do Sul. Junto com as fitas vieram alguns fanzines que o diretor dos filmes publicava. Algum tempo depois me senti confiante para também escrever e publicar o meu próprio zine.” Após algumas tentativas de formato e experiências com o texto, Erivaldo lançou o Spermental, um fanzine sobre filmes de terror e cultura gore. Atualmente, o Spermental já está na sua vigésima edição e o autor pretende lançar um livro com todo o material publicado.

O Quazinada oferece neste sábado (17.11) aos participantes do encontro oficinas e shows das bandas Morcegos e Morra Tentando

José Luiz Rios, 26,  também conhecido como Buzugo, é outro exemplo de fanzineiro no Estado. Após começar a frequentar shows de punk, Buzugo conheceu algumas publicações e justamente procurando na internet, descobriu diversos contatos para trocar informações. Com essa experiência, Buzugo passou a incentivar a produção de fanzines na cidade realizando oficinas em faculdades e escolas públicas e organizando o Quazinada, um encontro que pretende estimular a criação de fanzines em Maceió.

Através de oficinas, distribuição de edições e também da troca entre os colecionadores, o Quazinada oferece neste sábado (17.11) aos participantes do encontro um entendimento da cultura do fanzine. Em sua segunda edição, o evento tem em sua programação shows das bandas Morra Tentando e Morcegos, comida vegan e o lançamento do fanzine Manufatura, editado pelo ilustrador Flávio Grão com a participação do designer Daniel Hogrefe.

SERVIÇO

O QUÊ: II Quazinada – Encontro Alagoano de Fanzineiros
ONDE: Quintal Cultural (Rua do Sol Nascente, 184 – Bom Parto)
QUANDO: Sábado (17/11)  às 16h20
VALOR:Entrada Gratuita
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Um Comentário

  1. Roger BeaTJesus

    5 outubro 2013 at 16:01

    Olá hermanos da missao, frmz no bonde! Sou fanzineiro do coletivo d artes em zines Sarau Comics Edition daki de Sampa e gostaria de conhecer os zines que serão expostos no Quazinada. Existe algum meio de trocarmos unas figurinhas??? Paxxx Ao Fronte!

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