Cultura popular
Frevo na praça

Frevo na praça

A bailarina Joelma Ferreira tem uma árdua (mas prazerosa) tarefa pela frente. Junto com o bailarino Edson Santos, a moradora do bairro da Ponta Grossa, um dos mais antigos da capital alagoana, pretende resgatar a cultura do frevo na região onde, nas décadas de 30 e 40, o passista conhecido como Moleque Namorador encantava a todos com seus passos inusitados de frevo.

Para isso, a bailarina da Cia dos Pés– em parceria com o curso de licenciatura em Dança da Ufal e com a Associação dos Moradores da Ponta Grossa –vem desenvolvendo um projeto de aulas de frevo na praça batizada em homenagem ao Moleque.  “O frevo vem desaparecendo do bairro nos últimos anos. Nem a tesoura, um dos passos mais simples do frevo, as pessoas conseguiam realizar”, conta Joelma. 

As aulas serão realizadas nas tardes de sábado até a semana do carnaval e são gratuitas. Podem participar pessoas de qualquer idade, mas as crianças têm prioridade. “Pretendemos também desfilar pelas ruas do bairro com um bloco formado pelas pessoas que participam da aula. Será o bloco Filhos do Moleque”, conta.

A referência ao ilustre morador do bairro só não pôde ser mais  explícita porque já existe um bloco de carnaval no bairro com o nome Moleque Namorador. “Mas eles só tocam axé”, completa Joelma.

“O  frevo vem desaparecendo do bairro nos últimos anos. Nem a tesoura, um dos passos mais simples do frevo, as pessoas conseguiam realizar”, conta Joelma Ferreira, dançarina da Cia dos Pés

Para o presidente da Associação dos Moradores da Ponta Grossa, Petrúcio dos Santos, 67, a iniciativa de Joelma é de grande importância, pois “resgata uma tradição que está prestes a sucumbir”. O desinteresse pela dança pernambucana começou a diminuir com a chegada dos trios elétricos ao bairro. “A juventude de hoje não se preocupa mais com a tradição”, reclama Petrúcio.

A escolha do local para as aulas é mais que simbólica. “Mesmo em Pernambuco, não se ouviu falar em um passista do timbre do Moleque Namorador “, diz Petrúcio. “Assim como Lampião e Zumbi, o Moleque Namorador não foi esquecido pela tradição oral”, completa.

A ideia de se resgatar a cultura do frevo é, na opinião do antropólogo e pesquisador do carnaval Bruno César Cavalcanti, uma tendência que surgiu em Maceió com o nascimento do Pinto da Madrugada. “Desde a década de 90, surge, como parte do processo de globalização cultural, um processo inverso, no qual as pessoas criaram um discurso de tradição, uma valorização do localismo”, argumenta Bruno. “Esse processo, no entanto, não é uma tendência apenas local, mas mundial”.

Bruno vê, no entanto, com bons olhos os esforços de Joelma de resgatar a dança do frevo. “Essas oficinas não precisam servir para criar, na marra, uma geração de dançarinos de frevo. Elas servem para dar uma possibilidade de escolha”, completa.  

SERVIÇO

O QUÊ: Aulas gratuitas de frevo com a Cia dos Pés
ONDE: Praça Moleque Namorador, Ponta Grossa
QUANDO: todas os sábados até o carnaval
HORÁRIO: Das 16h às 17h

Compartilhe

Posts Relacionados

Um Comentário

  1. Joelma Ferreira

    17 janeiro 2013 at 22:44

    Olá Lucas,
    A Cia dos Pés primeiramente agradece pela divulgação do trabalho e parabeniza a revista pela valorização desse tipo de iniciativa como a nossa! Depois, gostaríamos de fazer uma ressalva sobre o trecho do texto em que vc diz que eu, Joelma, com nossos parceiros, venho desenvolvendo o projeto. O projeto está sendo desenvolvido pela Cia dos Pés, somos um grupo e é esse grupo que está desenvolvendo o projeto. Apenas a ideia inicial foi minha. O projeto está se redimensionando em função do trabalho conjunto. Este, de fato, é um projeto da Cia dos Pés, desenvolvido pela Cia dos Pés.

    Abraço

    Joelma Ferreira

    Reply

Responder

Seu e-mail não vai ser publicado. Required fields are marked *