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Histórias de um bloco carnavalesco

Histórias de um bloco carnavalesco

Foi ao passear com a namorada pela calçada do cemitério da Piedade, no Prado, que o pernambucano Marcos Catende ouviu pela primeira vez a fatídica história da mulher da capa preta, um tema que causou arrepios nele e na pele de sua companheira. A narrativa, que já entrou para o imaginário da cidade, o atormentara tanto que Catende investigou a história por conta própria. “Passei duas semanas indo ao cemitério da Piedade para descobrir um pouco dessa história”, conta Marcos.

Em uma de suas visitas, Catende deparou-se com um túmulo que tinha a inscrição: Aqui jaz Carolina de Sampaio Marques, nascida em 21 de março de 1869 e falecida em 22 de novembro de 1921. Uma capa moldada em granito ornamenta a sepultura ilustre ainda hoje. A lenda ganhava um contorno de realidade.

Passei duas semanas indo ao cemitério da Piedade para descobrir um pouco mais sobre a história da Mulher da Capa Preta”, diz Marcos Catende

O interesse pela lenda fez Marcos Catende criar em 2001 o bloco de carnaval “Mulher da Capa Preta”, um dos mais tradicionais da capital alagoana. O festejo acontece geralmente duas semanas antes do carnaval e já concentrou cerca de 10 mil foliões, a maioria com fantasias com a temática fúnebre, como zumbis, vampiros e até mesmo homenagens a inspiração do bloco, a mulher da capa preta.

Apesar do sucesso do bloco, um incidente de violência acabou marcando o evento recentemente. Em 2011, o motorista Marcelo César Ferraz  Gomes invadiu o espaço destinado aos foliões e  atropelou 18 pessoas, sendo posteriormente espancado e seu carro incendiado. Desde então o número de foliões tem diminuído. Segundo Catende, esse foi um fato isolado causado pelos ciúmes de Marcelo. “Ele não queria que uma de nossas foliões participasse da festa”, conta.

O Bloco Mulher da Capa Preta não é, contudo, o primeiro contato de Marcos com o Carnaval. Morando a 14 anos no Prado, Marcos criou em 1983 o bloco pernambucano  “A mulher da sombrinha” (foto em destaque), que atrai anualmente cerca de 60 mil pessoas. Marcos orgulha-se do número de foliões. “Em Pernambuco, somente o Galo da Madrugada é maior do que a gente”.

Coincidência ou não, o bloco pernambucano recria a lenda de uma mulher que namorava os operários da usina de cana-de-açúcar em Catende-PE. Os jovens incautos, depois de uma noite de amor e sexo, acordavam em cima de um túmulo. “Mas essa história é só uma lenda”, explica Catende.

Mulher da capa preta

Conta-se que um casal dançara toda a noite em um baile da cidade. Após a festa, o rapaz acompanhou a moça até a casa dela. No caminho, ela foi amparada por uma capa preta dada pelo rapaz que se protegesse da chuva. Combinaram, então, de o rapaz pegar a capa em sua casa no outro dia.

Surpresa maior foi a do rapaz ao saber, pelas palavras da mãe, que a moça em questão já havia morrido há anos. Para comprovar o que dizia, a mãe levou o rapaz até o cemitério da Piedade, Prado, e mostrou o túmulo de Carolina de Sampaio Marques, morta em 1921.

* A foto em destaque é de Tom Cabral/Santo Lima/UOL

SERVIÇO

O QUÊ: Bloco Mulher da Capa Preta
QUANDO: Sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
ONDE: Praça da Faculdade, Prado
HORÁRIO: 21h

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