Esportes
Liberdade no concreto

Liberdade no concreto

Desde de que surgiu na Califórnia, na década de 1960, o skate vem ganhando adeptos para se tornar um dos esportes mais praticados no mundo. No Brasil, dados indicam que existem três milhões de skatistas, colocando a prática na 7ª colocação entre os esportes mais praticados no País, uma posição à frente do surfe.

Alguns fatores básicos podem influenciar a prática do esporte, como os equipamentos do skate, que consistem em shape, rodas, trucks e rolamentos, e características do local para os treinos – espaço, tipo do terreno e construção. Mas o fator mais importante é a satisfação em realizar uma manobra perfeita.

Praticando o esporte há 23 anos, o skatista alagoano Carlos Cacheta é um dos grandes exemplos do esporte no estado e ainda se surpreende quando dá um “rolê” de skate.  “A alegria que eu senti na minha primeira manobra é o que eu sinto até hoje. Só quem anda de skate pode entender”, diz Cacheta. Explorando toda a liberdade que o skate proporciona, Cacheta anda pelas cidades que visita até encontrar um local interessante e desafiador para se realizar uma manobra. Parte dessa emoção já lhe causou alguns problemas, como lesões e fraturas, que nem ele mesmo lembra quantas foram.

Com o conhecimento adquirido, Cacheta percebeu que poderia incentivar a prática do skate em Alagoas com a construção de pistas de maior qualidade. Sua primeira experiência como construtor foi ainda adolescente, quando a sua mãe viajou por um final de semana e, na volta, encontrou em seu quintal uma minirampa construída por Cacheta e alguns amigos. Hoje, o skatista oferece consultoria para algumas prefeituras que decidem investir no esporte urbano, sempre se preocupando com os praticantes do esporte. “Um bom shape de skate dura normalmente três meses, mas quando o skatista vai praticar em uma obra que foi construída com materiais de baixa qualidade, impróprios para o esporte, esse material reduz o seu tempo para 20 dias”, explica Cacheta.

Diogmes Nen - Manobra -  Nose manual foto por -  Túlio brandant

O skatista Diogmes Nen realizando a manobra Nose Manual (Foto: Túlio Brandant)

Outro conhecido skatista de Alagoas, Diogmes Nen divide seu tempo entre praticar o esporte e escrever sobre ele. Aos 14 anos, Nen começou a andar de skate na pista do bairro do Benedito Bentes por estímulo do colega César Mudinho. Em 2007, o skatista percebeu que, apesar da grande quantidade de praticantes em Alagoas, ainda não existia nenhum material que falasse especificamente sobre o skate no estado e resolveu montar a revista Sequência #082 Sktinfo.  A pretensão inicial da revista era mostrar o skate alagoano a partir de entrevistas com os esportistas que se destacassem no período, mas aos poucos Sequência vai se expandindo e ganhando colaboradores de outros estados.

Sem interesse em se tornar um profissional, Nen investe para melhorar a sua revista e o blog, que em 2011 concorreu ao prêmio de melhor blog alagoano na categoria de esporte. “Ainda existem poucas publicações no Brasil porque somente quem pratica o skate vai entender qual é a dificuldade da manobra ou como eternizá-la em uma fotografia da melhor maneira”, explica Nen. Junto com a Federação de Skate Alagoano, desativada há alguns anos, Diogmes Nen pretende retomar o Circuito Alagoano de Skate, levando o esporte ao interior do estado, registrando novos atletas e organizando um ranking dos praticantes.

A skatista Jéssica Swan praticando skate na pista da Pajuçara - créditos: Vaneça Almeida

A skatista Jéssica Swan praticando skate na pista da Pajuçara (Foto: Vaneça Almeida)

Um dos prováveis destaques deste ranking será a atleta Jéssica Swan. Com apenas 21 anos, Jess, como é chamada pelos amigos, começou a andar de skate para aprimorar o equilíbrio necessário para o surfe.  Assim como os surfistas californianos de Dogtown que sem ondas resolveram subir em pranchas para andar no asfalto, Jess viu na falta de grandes ondas em Maceió um motivo para se dedicar ao esporte urbano e começou a evoluir rapidamente.

Jess Swan é a única mulher de Alagoas em um esporte dominado pelos homens, mas isto não a intimida em competições. Nos últimos eventos dos quais participou, ganhou o prêmio de melhor manobra na pista de skate da Pajuçara. Apesar de ser um esporte individual, a rivalidade acaba logo após a realização de uma manobra, quando todos os skatistas aplaudem o concorrente.

As pessoas me parabenizam pela coragem”, diz Jéssica Swan

O exemplo de Jess acaba por influenciar outras garotas e até crianças, como no projeto Skate na Escola, em que skatistas de Maceió vão a instituições de ensino para disseminar a prática do esporte. No entanto, Jess acredita que ainda falta uma valorização no estado. Com um equipamento que custa mais de R$ 600 e precisa ser reposto num breve espaço de tempo, a skatista procura apoio para os materiais que usa e oportunidades para mostrar o esporte fora de Alagoas.

Parte da história do esporte em Alagoas já foi registrada por Carlos Cacheta no filme Bem Vindo ao Zoo (assista abaixo um trecho do filme). Após dois anos de gravação e pós-produção, o filme foi lançado no final de 2012 e mostra manobras de grandes nomes do skate alagoano e de outros estados, como o skatista profissional sergipano Adelmo Jr, que hoje mora nos Estados Unidos. Percorrendo 13 cidades e reunindo quase 100 skatistas durante a filmagem, Cacheta fala que o objetivo do vídeo era capturar o skate como forma de diversão.

Com planos para um próximo filme, Carlos Cacheta ainda lembra de algumas marcas da última gravação, em que fraturou duas costelas enquanto andava em uma pista de Arapiraca. O filme Bem Vindo ao Zoo está a venda na loja de artigos para Skate Pig’s Head, localizada no Shopping Popular  do Centro.

* Crédito da foto em destaque: Jardell Oliveira

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Um Comentário

  1. Diogmes kermanny

    31 janeiro 2013 at 12:59

    Muito obg Mário lamenha e ao Blog Graciliano pelo espaço!

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