Cultura popular
De olho na tradição

De olho na tradição

Da folia dos blocos de rua a festas particulares nos principais clubes da cidade. Foi mais ou menos assim que se desenvolveu a prática de brincar o carnaval em Maceió. Durante as décadas de 1940 até 1960, curtir os bailes de carnaval nos clubes da cidade – Jaraguá Tênis Clube, Iate Clube Pajuçara e Clube Fênix Alagoana – era prática comum entre a classe média e os mais abastados de Maceió. A década de 60, período de mudanças políticas e culturais em diversos países do mundo, terminou com o glamour das festas de carnaval nos clubes.

“Os filhos da classe média começam a romper com o compromisso de perpetuar a tradição dos bailes nos clubes. Por isso, essa garotada começa a curtir o carnaval na rua, junto com o povo”, explica Edberto Ticianeli, ex-secretário de Estado de Cultura de Alagoas e fundador do projeto Jaraguá Folia, que tem levado as prévias carnavalescas ao bairro de Jaraguá, um dos mais antigos de Maceió. “Aquela juventude não possuía o nariz empinado da elite”, conta. Para ele, esse mudança de consciência foi o principal motivo para o fim dos bailes privados de carnaval dos clubes da cidade.

Baile de carnaval no Clube Fênix Alagoana na década de 1960

Baile de carnaval no Clube Fênix Alagoana, na década de 1960

Nos anos que se seguiram, nasceram os principais blocos de carnaval da capital alagoana. Em 1983, como réplica da agremiação pernambucana Virgens de Olinda, é criado o bloco As pecinhas de Maceió, onde homens vestem-se de mulher para brincar o carnaval.

Já em 1999, nascia o Pinto da Madrugada, homenagem ao gigante pernambucano Galo da Madrugada e que, em 2013, “arrastou” cerca de 200 mil pessoas pela orla de Maceió.

Já no início da década de 1980, a passarela da brincadeira momesca deslocou-se do Centro para as praias de Ponta Verde e Pajuçara. A presença dos trios elétricos, novidade do carnaval na época, que havia se espalhado pelo Brasil, criou um novo modo de se fazer folia.

No embalo, nasce o Maceió Fest, em 1993, que arregimentou em sua primeira edição mais de 30 mil pessoas. Em 2004, a transferência para o Jaraguá, em um local fechado, selava seu fim.

Três anos antes, em 2001, criado como forma de revitalizar o turismo e a economia do bairro do Jaraguá, o Jaraguá Folia mostrava sua cara e expunha o jeito como Ticianeli pensa como deve ser o carnaval. ” O carnaval é uma festa. Ele não nasceu para ser espetáculo”, diz. Por isso, o desfile é gratuito e não existe competição entre os blocos.

Para ele, o carnaval nasceu para ser uma brincadeira e, por essa razão, deve ser espontânea, ao contrário do que, segundo Ticianeli, é o carnaval das escolas de samba do Rio. “Lá, o dançarino tem horário definido, não se pode beber e os movimentos são coordenados por uma outra pessoa”, conta. “Aquilo não é brincadeira, é trabalho”.

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