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Palácio da memória

Palácio da memória

A estrutura imponente do edifício da Associação Comercial de Maceió, situado no bairro histórico do Jaraguá, desvela um dos mais belos monumentos neoclássicos construídos no Estado, em meados dos anos 20. O prédio serviu como sede da principal entidade articuladora das políticas para o desenvolvimento da região na época do império até a república. Hoje, além de continuar representando os interesses do comerciário alagoano, a instituição abriga o Museu do Comércio de Alagoas (Mucom) e o Museu de Tecnologia do Século 20.

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Entidade foi uma das responsáveis pelo desenvolvimento econômico do Estado desde o Império até a República (Foto: Reprodução)

O pesquisador, crítico de arte e coordenador cultural e social da Associação, Benedito Ramos é quem está à frente de ambos os museus. Ele assumiu o cargo nos anos 2000 e ao tomar contato com os documentos guardados no edifício se deparou com o discurso de inauguração da obra, realizado no dia 16 de junho de 1928, por Homero Galvão, que foi o responsável pela construção da sede da entidade. “Nele, o então presidente da Associação deixava claro o desejo que possuía de ser criado um local que resgatasse o papel e a história do local”, conta.

81 anos após Homero Galvão explicitar a sua aspiração para criação desse espaço, o Museu do Comércio de Alagoas (Mucom) foi, enfim, materializado. O circuito contempla um rico acervo de móveis e utensílios de época, documentos alfandegários e registros iconográficos, a exemplo de uma fotografia feita durante a visita do então presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), à Associação, em 1930. Passados 146 anos desde a sua fundação, foi reinaugurado, em setembro do ano passado, o Museu de Tecnologia do Século 20.

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Fachada da Associação Comercial de Maceió (Foto: Reprodução)

Esse novo espaço oferece um panorama das transformações que as invenções tecnológicas (tevês, rádios, computadores, telefones etc.) sofreram ao longo das décadas, através dos quase 300 itens que compõem o acervo. O museu conta com recursos que possibilitam os portadores de deficiência visual o toque e a leitura das placas de identificação de cada peça. A acessibilidade também está presente em outros detalhes. O piso podo táctil permite ao deficiente visual realizar todo o circuito sem acompanhantes. Além de monitores em touchscreen que atendem ao visitante através do toque na tela, sem necessidade de mouse ou teclado.

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O piso podo táctil permite ao deficiente visual realizar todo o circuito sem acompanhantes (Foto: Francisco Ribeiro)

O BLOG GRACILIANO visitou o Museu de Tecnologia do Século 20 e o Museu do Comércio de Alagoas (Mucom) e traz um guia dos principais destaques.

Museu de Tecnologia do Século 20

O circuito é composto por cinco salas, nas quais estão expostas equipamentos tecnológicos separados em quatro intervalos de tempo, são eles: 1900; 1901-1949; 1950-1970 e 1980-2000. Nesses ambientes, há painéis que apresentam por meio de texto e fotografias os marcos de cada uma dessas épocas.

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As salas possuem monitores touchscreen, onde o visitante pode assistir vídeos dos fatos marcantes de cada época (Foto: Francisco Ribeiro)

Na primeira sala, que retrata o ano de 1900, foi montada uma pequena biblioteca onde livros raros são preservados, a exemplo do manual de Telefonia Princípios Básicos e da coleção Fotoart Revista, especializada em fotografia que circulou entre1963 e 1969.

Já na sala 1950-1970, o visitante irá se deparar com um Centro de Processamento de Dados (Mainframe), equipamento usado para emitir folhas de pagamentos e relação de correntistas dos bancos, uma espécie de CPU.

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Considerado como o “pai da CPU”, o Centro de Processamento de Dados (Mainframe) é o destaque da Sala 1950 (Foto: Francisco Ribeiro)

A sala 1980-2000 – a última do circuito – registra o início da era dos portáveis. Há também um painel que mostra a evolução dos computadores da Apple. Segundo Benedito Ramos, o público cativo do museu é a criançada. “Elas se divertem ao verem de perto a evolução das máquinas”, afirma. Visitas de colégios podem ser agendadas antecipadamente.

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Na Sala 1980-2000, o visitante encontrará entre os objetos expostos, aparelhos de som, um secador de cabelo portátil e modelos antigos de computadores. (Foto: Francisco Ribeiro)

Museu do Comércio de Alagoas (Mucom)

O circuito proporciona ao visitante um mergulho na história das descobertas marítimas, do comércio com a Colônia Portuguesa e da abertura dos portos. “É a história de Alagoas delineada na indústria açucareira desde os engenhos até a primeira usina”, explica Ramos.

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Documentos e objetos resgatam a história da Associação Comercial de Maceió (Foto: Francisco Ribeiro)

Nas quatro salas que compõe o circuito estão expostas peças referentes ao comércio no início do século XX, sobretudo, das décadas de 1920 e 1930, como escrivaninhas, máquinas de escrever, livros de estatística do porto, balanças de medidas, atas da Associação Comercial desde 1866 até 1980, entre outros itens.

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As salas trazem painéis explicativos sobre a história da Associação (Foto: Francisco Ribeiro)

SERVIÇO
O quê: Museu de Tecnologia do Século 20 e o Museu do Comércio de Alagoas (Mucom)
Onde e quando: Rua Sá e Albuquerque, 467 Jaraguá. Segunda a sexta-feira, das 9 às 12 e das 13 às 17h
Mais informações: (82) 3597-8558, (81) 9992-6892 ou beneditora@hotmail.com.

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