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Nas ondas do reggae

Nas ondas do reggae

No fim da década de 70, era comum o trânsito de vendedores ambulantes da Feira do Rato para os maiores centros econômicos do País: Rio de Janeiro e São Paulo. Muitos viajavam até o Paraguai. De lá, traziam discos em vinil dos principais nomes do reggae na época: Peter Tosh, Bob Marley, Jacob Miller e outros.

Aqui, os visitantes da feira que não conseguiam pagar o valor dos vinis levavam para casa cópias dos discos em fitas K7. Começava aí a febre da cena reggae na periferia de Maceió. O som jamaicano corria pelos ouvidos da juventude local e logo tornou-se visitante ilustre nos bailes dos clubes de futebol amador da época, como o Riachuelo Futebol Clube (Trapiche), Cosmo (Vergel), Abrantes (Chã da Jaqueira), entre outros inumeráveis.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, um certo jamaicano de cabelo rastafári – Bob Marley visitou o Brasil em 1980, para a inauguração de uma gravadora– dividia os espaços no gramado com os brasileiros Chico Buarque e Toquinho. O jogo se deu na sede do Politheama Futebol Clube, time do Chico Buarque.

Em 1980, Bob Marley veio até o Brasil para a inauguração de uma gravadora. Fã da seleção brasileira de 70, o cantor jamaicano não dispensou o convite para uma partida de futebol junto com os artistas Chico Buarque e Toquinho. Foi nas sedes dos times amadores de Maceió que o reggae se proliferou na capital

Hoje em dia, segundo Ari de Oliveira, mais conhecido como Ari Consciência, produtor cultural e militante do reggae, a cena reggae alagoana divide-se em três grupos: o reggae de versão, o reggae de raiz e os DJ’s. Consciência relata o auge das bandas do reggae de raiz entre os anos 1980 e  1997.

Em Alagoas, o reggae é muito forte, mas não possui força política” (ARI CONSCIÊNCIA)

 

Nessa data, os alagoanos Pedrão e Jorge Rasta traziam para Maceió o modo de se ouvir reggae mais comum no Maranhão: o reggae melô. Consiste na batida do reggae acrescentada a versão à capela de uma música. “Existem no Maranhão produtoras de músicos de cozinha, ou seja, músicos que só trabalhavam em estúdio. O músico toca as notas da versão original e o operador de áudio inclui a versão à capela do cantor”, explica Ari. “Algumas pessoas até tentam fazer o mesmo aqui, mas nenhuma possui a mesma habilidade do povo maranhense”.

Ari Consciência é produtor cultural e militante da causa negra. Segundo ele, a cena reggae começa em Alagoas com a venda de vinis de reggae na Feira do Rato na década de 1980

Ari Consciência é produtor cultural e militante da causa negra. Segundo ele, a cena reggae começa em Alagoas com a venda de vinis de reggae na Feira do Rato na década de 1980

Com isso, aos poucos, os alagoanos passaram a ouvir o reggae de versão trazido do Maranhão. É nessa época que surge a figura do DJ de reggae, principal concorrente das bandas de raiz. “As bandas quase que não tocam aqui em Maceió, porque é muito mais barato contratar DJ”, diz Ari.

Além dessa natural disputa pela preferência do público e dos donos das casas de shows, Ari vê uma relação pouco amigável entre os dois. “Às vezes, os integrantes das bandas não querem dividir o palco com um DJ porque o DJ fala errado”, diz Ari.” Em Alagoas, o reggae é muito forte, mas não possui força política”.

Ari destaca entre as bandas de raiz a Vibrações (foto em destaque) e, para amenizar o confronto entre bandas e DJ, esclarece: “A banda Vibrações possui um destaque hoje muito por conta dos DJ’s. A música Portal Divino foi popularizada por eles”.

Lembrando o exemplo do funk carioca, Ari sonha com a transformação social a partir do reggae. “No Rio, o funk tem tirado alguns cidadãos da criminalidade”, diz. 

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2 Comentários

  1. RICARDORAAS

    26 março 2013 at 15:32

    Hoje o reggae é muito popular , é verdade , mesmo assim , a grande maioria dos “dj`s “
    não procuram se diferenciar e criar seu próprio estilo , com isso fica uma mesmice . Basta ver os vol. que eles lançam , sempre as mesmas musicas. É preciso ter mais leitura , conhecimento e bom gosto , para não ficarem rotulados.

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  2. AdoroOoOoO

    27 março 2013 at 7:39

    Reggae, é tudo de bom pois, traz em suas melodias uma calmaria perfeita para podermos RELAXAR!!! 😀

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