Cinema
Filmologia: O cinema em pauta

Filmologia: O cinema em pauta

As luzes se apagam. A sessão está prestes a começar. Na tela são projetadas cores, texturas e formas, que somadas a uma trilha sonora inserem o espectador dentro de uma nova realidade – ficcional ou não – que está por vir. O cinema não se resume apenas a imagens em movimento, pois é, sobretudo, uma linguagem formada por códigos próprios que, ao serem combinados, contam histórias que nos transportam para lugares distantes, numa viagem rumo ao desconhecido. O audiovisual também pode ir além, sendo capaz de ultrapassar o mero entretenimento e provocar no público reflexões profundas sobre as angústias universais que afligem o homem.

Em busca de uma compreensão mais minuciosa sobre os questionamentos que as narrativas projetadas na tela do cinema lançam para os espectadores, os jovens jornalistas alagoanos Ranieri Brandão e Ricardo Lessa Filho criaram em junho de 2010 uma espécie de revista digital on-line, o Filmologia, cujo conteúdo reúne críticas e artigos sobre filmes, além de análises sobre a atual produção cinematográfica e seus realizadores.

Seguindo os moldes das cultuadas publicações do gênero, como a revista francesa Cahiers du Cinéma, responsável não só pelo lançamento do movimento Nouvelle Vague como pela valorização de cineastas como Alfred Hitchcock e John Ford, e a inglesa Sight & Sound, ambas ainda em circulação, o site Filmologia busca em suas “páginas” aproximar cinema e literatura. “A gente tem muita influencia desse pessoal. Até porque toda a crítica séria do planeta teve pelo menos um pouquinho de referência da Cahiers. Afinal, quem gosta de cinema, geralmente, também tem o prazer de ler textos sobre o tema”, diz Ranieri, 27.

Considerada a versão tupiniquim da Cahiers du Cinéma, a cultuada Revista de Cinema, circulou entre 1954 e 1964 no Brasil (Imagem: Reprodução)

O Filmologia é dividido em duas partes. A primeira é a da revista, que está em sua 12º edição. Entre os assuntos abordados, estão comentários sobre cineastas e sua filmografia. Os diretores Aki Kaurismäki, John Hughes e Walter Hugo Khouri são alguns dos que já tiveram suas obras resenhadas. A segunda diz respeito às cinco seções que compõe o site: críticas, artigos, fragmentário, filme em foco e outros quadros. Conforme explica o texto de apresentação, “ambas as frentes prezam por uma pluralidade no que toca à escrita e às obras abordadas, sem dispensar atenções apenas a determinados tipos de filmes em detrimento de outros”.

A diferença entre os dois conteúdos é a periodicidade. A cada três meses é publicada uma nova edição da revista, enquanto as seções recebem atualizações com espaços de tempo mais curtos.

Acaso

“A motivação para criarmos o site veio da vontade que compartilhamos de escrever sobre cinema”, conta Ricardo, 25. Ele e Ranieri se conheceram por acaso no colégio e desde então mantiveram uma parceria em torno da paixão pelo audiovisual.

“Chegamos atrasados para uma aula no ensino médio e começamos a conversar sobre cinema. Anos depois, acabamos fazendo o mesmo curso de Jornalismo. Foi nessa época que eu sugeri juntarmos nossos blogs com o propósito de fazer algo com mais corpo. Durante um tempo tentamos buscar parceria para viabilizar o projeto, mas não conseguimos. Até que decidimos bancar do próprio bolso”, lembra.

285945_236449559724388_5204316_o

No total, um editor e quatro redatores produzem o conteúdo do site

Atualmente, o site conta com uma equipe formada por três redatores: Diego Hoefel (Ceará), Rodrigo Almeida e Fernando Mendonça, ambos de Recife.

“Desde o início fui convidado pelos amigos Ranieri e Ricardo, conhecidos do fórum Making Off. Como sempre tivemos uma afinidade na paixão e na escrita sobre cinema, foi muito natural a minha inclusão no grupo, mesmo quando, nos primeiros dias de Filmologia, eu era o único não alagoano da equipe”, rememora o professor pernambucano Fernando, 28.

Ele defende a possibilidade da internet de aglutinar pessoas de diferentes regiões, mas que compartilham os mesmos interesses.

“Já não é possível pensar rigidamente em fronteiras geográficas dentro da realidade que a rede nos traz. Assim como o acesso a determinadas obras e conteúdos foi expandido, a troca de opiniões e as aproximações entre interesses comuns também se acentuou. A formação de ‘grupos’ com pessoas distantes fisicamente tem sido problematizada em diversos segmentos do cinema, da produção e criação, à reflexão e crítica. O fato de o Filmologia se estabelecer como uma publicação eletrônica já propõe uma ampliação de horizontes, seja no grupo reunido para se pensar os filmes, seja no contato com aqueles que lerão os textos”, observa.

Conteúdo

O site contabiliza uma média de 200 a 300 acessos diários. No entanto, apesar de tratar-se de uma publicação alagoana, o maior número de visitantes provém dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. “A gente não recebe muito acesso daqui de Alagoas. Creio que por não termos uma escola de crítica forte. O fazer cinema como um movimento audiovisual está sendo levado a sério agora”, justifica Ranieri.

241656_379545362115551_1951257382_o

Ranieri Brandão, um dos editores do site Filmologia (Foto: Acervo pessoal)

Ele comenta como é feita a escolha dos filmes que serão resenhados na revista. Nesse processo, por exemplo, não há restrição de gênero. “A gente não faz distinção entre um filme de arte ou comercial, pois tudo o que for cinema também é arte. Fazemos críticas de tudo. Mas o tempo foi ficando mais curto e os interesses foram ficando mais acentuados para determinados segmentos. Mas basicamente, são os filmes que nós assistimos – sendo bons ou ruins -, e que achamos que dá um texto mais interessante”, explica.

“A gente não faz distinção entre um filme de arte ou comercial, pois tudo o que for cinema também é arte. Fazemos críticas de tudo, afirma Ranieri Brandão.

Entre as obras nacionais e estrangeiras, a produção audiovisual em Alagoas também encontra espaço no periódico on-line. É o caso do artigo intitulado Onze apontamentos sobre uma imagem peninsular, que analisa o curta-metragem Imagem Peninsular de Lêdo Ivo, de Werner Salles Bagetti. No entanto, ainda não há um trabalho amplo sobre essa nova leva de filmes locais. “Sobre essa geração que saiu na Mostra Sururu estamos pensando em nos debruçar. Contudo agora está meio complicado, mas, claro, a gente tem essa proposta em mente, principalmente, em analisar os de Alice Jardim. Nós já estamos de olho em algumas coisas. Ainda que a ideia não esteja realmente engrenada, na ponta da agulha, nós temos vontade de escrever”, programa o jovem cinéfilo.

Serviço
Site: http://www.filmologia.com.br/

Compartilhe

Posts Relacionados

Responder

Seu e-mail não vai ser publicado. Required fields are marked *