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Jazz na praça

Jazz na praça

Não faz muito tempo que circulou pelo Facebook uma brincadeira feita pelos frequentadores do RexJazzBar sobre o futuro do estabelecimento, localizado na Praça do Rex, na Pajuçara – um novo point de encontro dos maceioenses. Num tom de humor, o texto dizia: “Bora pro Rex enquanto tá underground”.

O que tanto preocupava a galera jovem era a possibilidade do bar perder aos poucos a atmosfera que é considerada o seu diferencial.  Ou seja, a boa música, o público “cabeça aberta” e a cerveja gelada por um preço camarada. Quando soube o que circulava pela internet, Hélvio Gama, o proprietário do estabelecimento, achou graça da situação.

“Fui procurar saber o que significava em português a palavra hipster [da página Hispter Alagoano, criadora do viral]”, comenta ele, apontando algumas justificativas para o fato do seu botequim ser tido como underground:  “A minha música é na quarta, o mundo inteiro recebe cartão de crédito e eu não. Acho que é por isso”.

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(Imagem: Facebook/Hipster Alagoano)

Com 52 anos de idade, o alagoano já trabalhou como funcionário público, vendedor de frutas importadas na Ceasa e distribuidor de hortifruti para hotéis e restaurantes. “O mais perto que eu tive de um bar foi uma lanchonete na praia do Francês, entre 1982 e 1987. Era algo de temporada, durava só três meses, e depois ficava sem nada”, conta.

Após três anos atuando no setor administrativo do Wanchako Restaurante, Hélvio decidiu abrir o seu próprio negócio. A ideia inicial era vender pastel de feira num ponto de ônibus de bastante movimento. Para isso, deu início a uma jornada na procura de um local adequado para receber o seu empreendimento.

A procura chegou ao fim quando, em abril do ano passado, ao passar em frente à praça do Rex, viu uma casa com uma placa de aluga-se pendurada na fachada.  “Fiz o retorno com o carro e pensei: Meu Deus, uma pastelaria não dá aqui. O que daria? Na hora, lembrei de um filme de Clint Eastwood. Salvo engano, ele tinha um pub que tocava jazz. Pensei: pode ser um boteco que toque jazz”, lembra.

No dia 11 de maio de 2012, o bar abriu suas portas para receber os primeiros clientes. O nome do estabelecimento surgiu como forma de resgatar a história do extinto Cine Rex, situado a poucos metros dali. Boa parte dos itens, como mesa, cadeiras e objetos de decoração, Hélvio ganhou de presente de amigos e parentes, um deles o proprietário do Wanchako, onde trabalhou anos antes.

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Fachada do prédio do extinto Cine Rex (Foto: Divulgação)

Quartas de Jazz
Era meia-noite de uma quarta-feira de julho quando desceu do táxi um homem careca, forte, meio trôpego. Ele comemorava efusivamente a vitória na Taça Libertadores da América do seu time do coração, o Corinthians. As quase 150 pessoas que se amontoavam na pracinha, para curtir um show de jazz, voltaram suas atenções para a cena.

Mas o famoso saxofonista Derico, conhecido pelo trabalho no Programa do Jô, não se intimidou com os olhares de espanto dos presentes, que logo deram lugar à tietagem. Receoso com algum possível imprevisto, Hélvio preferiu não divulgar a presença do músico. Agiu certo. Por conta da final do campeonato, o convidado especial se atrasou.

“Era quase meia noite e ele não chegava. Ainda bem que tinha colocado de retaguarda a apresentação de uma banda composta por Carlos Bala, Van Silva, Ricardo Lopes e outros. Eles deram o maior show”, diz. No entanto, como prometido ao amigo Hélvio, o saxofonista fez questão de dar uma canja das canções que eram sugeridas pelo público.

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Saxofonista Derico em apresentação no Rex JazzBar (Foto: Divulgação)

Ligado em toda movimentação, o dono do bar percebeu que promover eventos nas quartas-feiras poderia ser uma boa. “Aí eu fiz outra vez para saber se o sucesso tinha sido por conta do Derico ou se poderia reunir muita gente para escutar jazz nesse dia da semana”. A noitada repetiu o sucesso.

De lá pra cá, o Rex JazzBar já realizou 54 shows. Para manter uma programação diversificada, o botequim tem apresentado sonoridades diferentes do estilo musical predominante. “Aqui eu tenho ousado. De vez em quando saio do jazz. No aniversário de nascimento de Renato Russo, convidei o grupo Voz Urbana. Outro dia, tocou a banda Xique Baratinho. Foi fantástico”, diz.

Mas a agitação causada pelo boteco na região não agradou a todo mundo. Localizado numa área bastante residencial, os vizinhos ficaram incomodados com o barulho e a grande movimentação de pessoas no local. “A gente tem que conciliar quem quer dormir e quem quer curtir. Chegar ao meio termo é algo que estou buscando acertar. A gente começava às 22h, e foi pras 21h, e termina às 23h30 às 00h”, pondera.

O principal meio de divulgação das atrações é o Facebook, onde Hélvio atualiza a página oficial do botequim. “Muita gente quer saber quem é o responsável pelo perfil. Mas eu não revelo. Me perguntam: ‘Com quem eu falo?’ Respondo: É o Rex JazzBar. ‘Sim, mas não tem uma pessoa por trás?’ Retruco: Rex JazzBar”, brinca. Ele confessa que hoje não consegue ficar um dia sem acessar a rede social.

Novidades em julho
Com o propósito de manter a programação sempre aquecida, o bar promete algumas novidades para o próximo mês. As bandas Barba de Gato e Blues Mascavo tocam na primeira e na segunda quarta-feira de julho, respectivamente. O cardápio também será ampliado. “Voltaremos a servir os caldinhos, bolinhos e porções de pasteizinhos”, garante o proprietário.

No total, seis pessoas compõem a equipe de funcionários, além de Hélvio e o seu filho, Victor Gama, 19, também sócio do estabelecimento. “Ele nunca acreditou que as pessoas pudessem vir  para uma praça escutar jazz. E eu também não”, revela Hélvio. Sobre o futuro do negócio, ele afirma com convicção: “O jazz é vida, o resto é detalhe.”

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Público durante o show da banda Voz Urbana, no Tributo Legião Urbana (Foto: Artur Finizola)

Serviço
O quê: Rex JazzBar
Onde: Praça do Rex, na Pajuçara
Horário de funcionamento: De terça a sábado, das 19 às 02h.
Contato: 9330-2880 ou www.facebook.com/rex.jazzbar

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