Flip 2013
A Flip é de Graciliano Ramos

A Flip é de Graciliano Ramos

Paraty, RJ – A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é mesmo uma festa. Para o bem e para o mal. A cidade fica lotada, há filas para tudo (e elas demoram a andar) e você fica sempre meio perdido no meio de tanta coisa. Para aproveitar bem o conteúdo é preciso organização e ficar de olho no relógio: há muitas boas coisas acontecendo simultaneamente ou em horários próximos.

Nem tudo é pago. Há atividades excelentes gratuitas, como a programação da Casa Folha, organizada pela Folha de S. Paulo (hoje ainda tem Laerte, amanhã tem Luiz Felipe Pondé e Ferreira Gullar; na sexta, Xico Sá). Agora há pouco, mais de 200 pessoas (muitas delas na calçada) se espremiam num ambiente que só cabia a metade para ver Ruy Castro falando, como bom carioca que é, da fama de preguiçosos dos habitantes do Rio. Foi uma palestra cheia de bom humor.  Ruy está muito à vontade.  Desde ontem perambula sorridente pelas ruas cercado de amigos, com jeito de quem está em casa. E está mesmo. Só mesmo vindo a Flip para entender por que o evento entra em sua 11 edição altamente celebrado pelo público,pelos escritores e pela imprensa: há espaço para eventos festivos, mas o conteúdo realmente voltado para a literatura é criteriosamente priorizado.

Ontem, no show de abertura, Gilberto Gil aproveitou o momento para falar com uma plateia de fãs sobre futebol e política. Quer temas mais atuais do que esses? Hábil com as palavras, refletiu sobre o momento atual, disse que era o momento mais importante desde a ditadura e afirmou sua paixão pela seleção brasileira de futebol. Por sinal, há uma programação especialmente dedicada às manifestações, à resposta do governo. Como deixar a literatura longe da política? Toda literatura é também uma atitude política.

Show de abertura da Flip 2013, com Gilberto Gil: artista falou das manifestações populares

Show de abertura da Flip 2013, com Gilberto Gil: artista falou das manifestações populares (fotos: Walter Craveiro)

Sobre o homenageado desta edição: Graciliano merece (e muito) cada vez que o seu nome é citado, cada vez que os vídeos-homenagem (um melhor que o outro) são exibidos nos telões, cada vez que artistas e intelectuais como Nelson Pereira dos Santos e Milton Hatoum falam sobre sua obra, apontam a perfeição do seu texto. E há muitas Flip’s. Todas celebram Graciliano.

Palestra de abertura da Flip, com Milton Hatoum, que falou sobre a obra de Graciliano Ramos

Palestra de abertura da Flip, com Milton Hatoum, que falou sobre a obra de Graciliano Ramos

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