Flip 2013
O Brasil na Flip

O Brasil na Flip

Paraty, RJ –  O segundo dia de Flip veio pra reafirmar o quanto vivemos momentos de profundas reflexões no Brasil. Mudanças concretas? Só mais tarde  saberemos.  Bom mesmo é ver que ao menos estamos debatendo, indo às ruas e falando sem parar sobre o assunto. Nunca tinha visto tanta gente perguntando ou respondendo sobre o momento político no Brasil.

A Flip também tem respirado o tema. Hoje, depois de ver Ruy Castro dizer que uma das melhores coisa que aconteceram ao Rio foi a capital federal ter se transferido para Brasília porque o poder destrói as cidades, foi uma surpresa ver, na Casa Folha, como Laerte é pop. Havia dezenas de pessoas do lado de fora da Casa, acompanhando a palestra pelas janelas do sobrado ou contentando-se em ter acesso somente ao áudio da palestra (caixas de som viradas pra rua). O lance era saber o que Laerte tinha a dizer. Parte dessa popularidade deve-se não apenas ao fato de se  tratar de um cartunista da Folha (na minha opinião, o melhor), mas também ao cross dresser, que o artista vem fazendo há alguns anos para viver sua feminilidade de forma mais intensa, como costuma dizer. Mas a palestra era sobre humor no jornal. Uma dos pontos altos foi quando Laerte declarou que “o leitor sente-se muito enganado quando termina de ler algo que está indicado como humor e não encontra humor”.

A palestra do jornalista André Barcinski, da Folha, foi um deleite para quem curte jornalismo gastronômico. Especialista no que chama de “culinária ôgra”, André falou sobre comida de rua e de como parte do sucesso dos restaurantes deve-se ao investimento em divulgação, algo impossível para ambulantes e lugares populares. O jornalista costuma, em todos os lugares que visita, pesquisar quem faz culinária de tradição e comercializa na rua, ao alcance de todos.

No final do dia, os escritores José Luiz Passos e Paulo Scott (foto em destaque), na Tenda dos Autores (a principal da Flip, com acesso pago) falaram sobre as formas da derrota na literatura que produzem. A princípio visivelmente nervoso (era sua estreia na Festa), Scott relacionou literatura à reflexão sobre o momento de decepção com o País e afirmou que, apesar de tudo, não se pode jogar fora tudo que se conquistou. Sua fala foi interrompida algumas vezes para aplausos efusivos da plateia.

Assista abaixo a trecho da palestra de Paulo Scott e José Luiz Passos através do link: http://www.youtube.com/watch?v=EpXzjJRMgD4

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Os escritores José Luiz Passos e Paulo Scott falaram sobre as formas da derrota na literatura que produzem

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