Bienal 2013
O tempo segundo Humberto Gessinger

O tempo segundo Humberto Gessinger

“A literatura junta por definição à solidão de quem escreve e de quem lê”, afirmou na tarde de ontem (27) um dos ícones do rock brasileiro, Humberto Gessinger, em sua palestra na VI Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Ele falou sobre a relação entre música e literatura, e suas experiências no mundo editorial.

Pontualíssimo, Humberto iniciou o bate-papo às 14h. O auditório estava lotado de fãs. 200 deles receberam uma senha, que deu acesso à sessão de autógrafos. A pedido da equipe do artista, apenas “Insular”, seu novo CD, e os livros do cantor seriam autografados.

Em 2008, o ex-Engenheiros do Havaí estreou nas letras com a publicação do livro “Meu pequeno gremista”, voltado para o público infantojuvenil.

“Seis segundos de atenção” é sua obra mais recente.

“O livro reúne crônicas que desafiam o tempo que parece correr mais depressa na era da internet”, resumiu o site Livraria da Folha.

Gessinger também assina “Nas Entrelinhas do Horizonte”, publicado em 2012, “Pra Ser Sincero”, no qual o autor conta a trajetória do Engenheiros do Hawaii, “366 Variações Sobre um Mesmo Tema” e “Mapas do Acaso”.

“Estou adorando a proximidade que estou tendo com a literatura. Oportunidade como esta eu não tinha como músico. Desde que me alfabetizei comecei a gostar de escrever, mas nunca tive coragem para lançar alguma obra”, contou o músico, ressaltando que “a literatura traz a sensação de intimidade, tanto pelo ato de escrever, quanto pelo próximo formato”.

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Humberto Gessinger num papo-papo com o público (esquerda) (Fotos: Francisco Ribeiro)

Tempo
Humberto Gessinger falou também sobre como sente a passagem do tempo. Aos 50 anos de idade, ele afirmou ter o relógio como “aliado”.

“Seria um erro viver eternamente. Mas a sociedade se vê, se veste e age como adolescente. Dizem que capricorniano nasce velho e morre moço. Não me importa a coisa do tempo. Cada momento tem o seu tempo, sem dúvida”.

Com notável senso de humor, o músico fez a plateia gargalhar em várias ocasiões.

Uma delas foi quando afirmou que aos 18 anos era mais inteligente do que hoje. E que ao completar 90 anos, será um dos homens mais burros do planeta.

Outro momento engraçado foi a sua resposta a uma das perguntas feitas pelo mediador do bate-papo, o jornalista Lula Vilar. Ele questionou Humberto sobre a fuga de sua tartaruga de estimação.

“Se eu tivesse duas tartarugas, uma sumiria e a outra engravidaria. Mas eu acredito que as coisas desaparecem. É como acontece com as tampas das canetas, que saem das fábricas completas. Porém, as tampas simplesmente desaparecem. Deve ter algum cemitério para as tampas das canetas”, brinca.

Após o fim da conversa com seus fãs, às 15h, o músico e escritor cantou três músicas para uma plateia emocionada. Depois, deu início à sessão de autógrafos.

Para o público, os 60 minutos que prolongou-se a palestra de Humberto pareceu durar apenas seis segundos.

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O músico e escritor cantou três músicas para uma plateia emocionada (Fotos: Francisco Ribeiro)

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