Bienal 2013, Literatura
“Sempre é tempo de se descobrir leitor”

“Sempre é tempo de se descobrir leitor”

Uma das primeiras atrações desta quarta-feira (30) na VI Bienal Internacional do Livro de Alagoas foi a mesa-redonda com o tema Políticas de livro e leitura, formação de acervos e encantamentos do leitor. Composta pelas jornalistas e escritoras Claudia Lins e Simone Cavalcante, e pela professora da Universidade Federal de Alagoas, Claudia Pimentel, a mesa falou sobre a importância do estímulo à leitura e políticas de acesso ao livro.

Com uma plateia formada basicamente por pessoas da área de literatura e educação – graduandos, mestrandos e escritores – a professora Claudia Pimentel deu início a ocasião, comentando a importância dos ambientes de leitura e os benefícios do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

O PNLL é um plano do Governo Federal que se baseia em quatro eixos, sendo eles: a democratização do acesso à leitura, com programas, como o do MEC, que garante que, até 2020, toda escola terá uma biblioteca; o fomento à leitura e a formação de mediadores; a valorização institucional da leitura e incremento do seu valor simbólico; e, para finalizar, o desenvolvimento da economia do livro, com fomento à cadeia produtiva e criativa, e maneiras de garantir a distribuição, circulação e o consumo do livro.

“Um plano como esse é de extrema importância e necessidade para o Brasil que, se formos parar para pensar, ainda é um tanto atrasado com relação ao incentivo à leitura. Enquanto os outros países se procuram espaço para as novas tecnologias em sala de aula, nós ainda estamos tentando firmar a leitura no meio impresso”, disse a professora.

Dando continuidade à ocasião, a jornalista e escritora de livros infanto-juvenil, Simone Cavalcante falou sobre o cenário da escrita para crianças em Alagoas. Frisando ser uma área ainda em construção, Simone traçou um panorama, mostrando os precursores do gênero no estado, como Rosália Sandoval e o próprio Graciliano Ramos, e os escritores contemporâneos, a exemplo de Tiago Amaral.

A autora falou também dos obstáculos enfrentados pelos interessados em dar continuação à literatura infantil em Alagoas, com a ausência de políticas públicas e leis de incentivo e a escassez de livrarias. Mas destacou os avanços já adquiridos com projetos de leitura e contação de histórias em escolas; alguns editais a exemplo do Coco de Roda, da Imprensa Oficial Graciliano Ramos; o aparecimento de novas livrarias; feiras literárias e a própria Bienal.

Já a fala de Claudia Lins foi pautada pelo encantamento, como despertar leitores. “Sempre é tempo de se descobrir o leitor”, disse ela, alegando que a influência dos pais pode ser levada em conta no incentivo e gosto pela leitura, mas que a vontade de ler e a relação com o livro tem que partir de dentro, independente da idade. “Não existem fórmulas para se adquirir o gosto pela leitura, pois isso é algo ligado ao sentimento”.

Claudia Lins explanou também sobre a qualidade de conteúdo dos livros que oferecemos as crianças. “Será que vale a pena comprar dez livros que custam R$2, ao invés de comprar um que custa R$20?”, questionou. Para a autora, livro bom não tem preço, não existe livro caro, pois livro é investimento.

Após o término da discussão, Simone Cavalcante e Claudia Lins, que são parceiras de criação, lançaram seu mais recente livro, “Sete Histórias de Amor e Encantamento”, pelo selo Passarada. A obra foi ilustrada pelo alagoano Pedro Lucena.

Livro "Sete Histórias de Amor e Encantamento", de Claudia Lins e Simone Cavalcante

Livro “Sete Histórias de Amor e Encantamento”, de Claudia Lins e Simone Cavalcante

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