Bienal 2013
Linguagem é pensamento: o caso do Brasil

Linguagem é pensamento: o caso do Brasil

“Ao falar, o brasileiro expressa sua identidade, que nunca é uniforme, e o país respira sua diversidade, que insiste em nos unir”, escreveu o jornalista alagoano Luiz Costa Pereira Júnior para o jornal Folha de S.Paulo (22/11/2007).

Fundador da revista “Língua Portuguesa” (Segmento) e autor de “A Apuração da Notícia”, Luiz esteve na noite da última sexta (01), na VI Bienal do Livro de Alagoas. Ele ministrou a palestra “Linguagem é pensamento: o caso do Brasil”.

Segundo o jornalista, a língua é, ao mesmo tempo, individualidade e coletividade. “Nela, está refletido certo jeito de se expressar”. O idioma traduz, observa Luiz, aspectos da cultura local.

“Por exemplo, em algumas línguas moçambicanas não há a palavra ‘natureza’. Pois, em Moçambique, a população não nomeia um objeto ou algo que de alguma forma já faz parte do ser humano. Para eles, não há distinção entre o homem e a natureza. Por isso, não existe uma palavra para se referir a ela”, contou.

O caso Brasil
Para Luiz, a consciência de linguagem foi implantada e cristalizada na forma como a população brasileira fala.

“O brasileiro quer evitar o conflito. Ele não contesta algo, mas também demonstra que o não adere. O sociólogo Gilberto Freire (1900-1987) mostrou que no Brasil há dois modos de usar os pronomes. O modo bom, doce de pedir algo, ensinado pelas amas negras aos filhos dos portugueses. Nessa forma, coloca-se o pronome na frente do verbo (‘Me siga’, ‘me traga’ etc). Já o modo português é algo duro, imperativo, agressivo. Por exemplo, “Siga-me, Traga-me”, analisou.

A língua falada busca amenizar os conflitos de hierarquia, o que resulta num modo “poroso de ambiguidade”.

Usamos também a fala como recurso para diminuir o distanciamento entre os interlocutores.

“Quando dizemos: ‘Está uma bagunça’. Está implícito para você ir lá resolver o problema.” De acordo com Luiz, no jeito de o brasileiro falar, também verificamos o preconceito de linguagem.

Para ele, as manifestações realizadas em julho mostraram que a linguagem da rua é mais “livre, criativa”. “O tesouro social da língua reside em toda essas especificidades do modo de falar em nosso país”, finaliza.

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