Cinema
A hora e a vez de Celso Brandão

A hora e a vez de Celso Brandão

PENEDO, AL – Celso Brandão, 62, não nasceu em Penedo. Mas, no entanto, é notável a relação especial que ele nutre pela cidade ribeirinha. Quando jovem, o então fotógrafo alagoano inscreveu seu primeiro curta-metragem, “Reflexos”, numa das edições do extinto Festival Brasileiro de Cinema de Penedo. Com a obra, levou o prêmio de melhor filme na categoria. O seu talento continuou a ser reconhecido nos anos posteriores, com mais quatro troféus.

Após 31 anos desde a sua estreia como cineasta no festival, Celso atualmente contabiliza uma filmografia extensa: são mais de 50 filmes no currículo. Uma das principais temáticas do seu trabalho são elementos da cultura popular, como o artesanato, as festas e as crendices locais. Para ele, mais do que um material com viés etnográfico, seu trabalho se destaca, sobretudo, pela presença marcante do indivíduo.

Não à toa, a terceira edição do evento que ressuscita o extinto festival de cinema, aquele em que Celso Brandão estreou na sétima arte, traz o alagoano como homenageado.

“Eu recebi um convite para ser homenageado pelo Festival de Cinema Universitário de Alagoas e dentro dessa proposta, me foi sugerido à possibilidade de publicar um livro solo. Com curadoria de Karla Melanias, com quem já havia trabalhado antes, tudo transcorreu em bons termos, para a minha grata surpresa. Fiquei ainda mais satisfeito de a minha fotografia ter sido trabalhada por um grupo alagoano”, disse.

Pela primeira vez compilada numa obra individual, 18 fotografias feitas por Celso ao longo da década de 1990 foram publicadas em “Memento”, que teve o seu lançamento na noite de ontem (12), no prédio histórico da Casa da Aposentadoria. O livro foi um dos contemplados pela última edição do Programa de Incentivo à Cultura Literária, promovido pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos.

No mesmo local, foi aberta uma mostra com as imagens reunidas no livro. Segundo o cineasta, as fotos “traduzem um testemunho de vida” e captam a sua “percepção das situações”.

Para Karla Melanias, responsável pela curadoria da exposição, “Memento” é uma homenagem à poética fotográfica e à carreira de Celso Brandão. “Eu acho que o Celso é uma referência na fotografia genuinamente alagoana. Suas fotos possuem uma intensidade simbólica e conceito muito forte. Esse trabalho representa um recorte pequeno da trajetória dele”, ressaltou.

No final da noite, foi realizada a Mostra Paralela de Cinema Nacional. Nela, foi exibido três produções – “Ponto das Ervas”, “O Poeta Lambe-Sola” e “Desvirando o Bicho” –, que apresentaram à plateia um panorama de sua filmografia. A projeção foi seguida de um debate, mediado pelo cineclubista Nivaldo Vasconcelos. Durante o bate-papo, Celso destacou a relevância do festival universitário para os cineastas iniciantes e confessou a sua admiração pelos novos realizadores alagoanos, como Werner Salles, Alice Jardim e Rafhael Barbosa.

SERVIÇO
O quê: Exposição “Memento”, de Celso Brandão
Quando: visitação 12 a 16 de novembro, das 9 às 12h e das 14 às 18h
Onde: Casa da Aposentadoria (Praça Barão de Penedo, n. 19)
Entrada Gratuita

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