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O tempo em Penedo

O tempo em Penedo

PENEDO, AL – É necessário desacelerar em Penedo. São três os lugares onde boa parte dos eventos acontecem: a Casa da Aposentadoria, o Teatro Sete de Setembro e a Praça 12 de abril. Mesmo próximos um do outro, é preciso andar mais rápido para não perder nada. Mas não muito.

A caminhada pede paciência e fôlego. São ruas estreitas e ladeiradas as de Penedo. É preciso ficar atento para não tropeçar em uma pedra. E é indicado também andar pela sombra, devido o calor.

Todos esses aspectos aleatórios de Penedo contribuem para observarmos a paisagem local e, também, para refletirmos sobre o filme visto há pouco.

Os cinco curtas-metragens exibidos no segundo dia da Mostra Competitiva, do Festival de Cinema Universitário de Penedo, pedem o que a cidade tem a oferecer de sobra: tempo. Tanto para reflexão, como para trocar idéias sobre as películas.

“Mwany”, dirigido pelo alagoano Nivaldo Vasconcelos, foi o ponto alto da noite.

Nivaldo é um habitué da produção cinematográfica local e tem desenvolvido uma parceria interessante com a fotógrafa Alice Jardim.

A palavra “Mwany” significa na língua chopi (uma das mais de 40 faladas em Moçambique) “terra”. O elo entre Brasil e África é retratado poeticamente através da ligação entre a moçambicana que mora em Maceió, Sónia André, e seu país de origem. Ela veio com sua filha de seis anos para estudar Música, na Ufal.

A direção e o roteiro do curta são tecnicamente bem executados. Quanto à fotografia, não se espera menos do belo trabalho da artista visual Alice Jardim.

O segundo filme exibido na mostra foi “Atrizes” (RJ), de Daniel Pech. Na obra, o tempo está presente de forma latente. Com uma narrativa lenta (ou arrastada, para alguns), o filme mostra uma atriz em seu camarim (local onde os atores se preparam para “encarnar” seus personagens antes de subir ao palco).

As animações “Ciclo”, do alagoano Arthur Luiz Cavalcante, e “A moça que existe em meus sonhos” (MG), de Luhan Dias Souza, foram bem recebidas pelo público.

O documentário “Meu corpo, minha vida” (PE), cuja direção é de Matheus Farias, foi o penúltimo filme da noite. O cineasta acompanhou e entrevistou os manifestantes que participaram da Marcha das Vadias pelas ruas do Recife, em 2013.

Assim como “A eleição é uma festa” e “Codinome beija-flor” exibidos na terça-feira (12), o curta do pernambucano Matheus Farias mostra que o cinema, mais do que entretenimento, é uma forma de arte que pode, e deve, gerar debates sobre a nossa história e a nossa sociedade.

Portanto, assistir um filme também é um ato político. Mas tal potencialidade não é espontânea. Para se realizar, é preciso que o que se vê na tela possa ser confrontado com informações e conteúdos críticos que dialoguem com o filme. E o ambiente do festival surge exatamente para isso: dialogar nossas leituras de mundo com tudo o que é visto.

Mostra Paralela de Cinema Nacional
Após o encerramento da Mostra Competitiva, foi exibido na Praça 12 de Abril três curtas: “Eu Te Amo”, “É Hoje” e “Cartas de Amor ao Ceará”, do professor e cineasta Marcelo Ikeda.

Em seguida, o cineasta Ninho Moraes mediou um bate-papo com Ikeda. No debate, ele falou sobre o aspecto caseiro de seus filmes, seu livro “Cinema de Garagem” e o atual cenário cinematográfico brasileiro.

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