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Novo olhar sobre o cinema alagoano

Novo olhar sobre o cinema alagoano

Numa edição morna, com pouco público presente nas sessões e filmes cuja qualidade foi inferior a de anos anteriores, o tempero do 3º Festival de Cinema Universitário de Alagoas foi o resultado dos vencedores da Mostra Competitiva, divulgada na noite de sábado (16.11).

Formado pelo jornalista e mestre em Audiovisual pela USP Ninho Moraes, pelo professor do curso de Cinema da Universidade Federal do Ceará Marcelo Ikeda e pelo publicitário Werner Salles, o júri avaliou 25 curtas-metragens que concorriam em três categorias: Melhor Curta Metragem – Júri Popular, Melhor Curta Metragem – Júri Oficial e Velho Chico de Cinema Alagoano.

“Os curtas exibidos no festival tiveram uma evolução técnica nas produções de uma forma geral. Em comparação aos eventos anteriores, contudo, em termos da linguagem e de exercício cinematográfico, ainda há um caminho a se percorrer”, ressaltou a comissão julgadora.

Em caráter inédito, o curta alagoano “Mwany”, de Nivaldo Vasconcelos, ganhou na categoria destinada a produções realizadas em outros estados.  “Foi a ruptura de um paradigma de que os filmes alagoanos não poderiam concorrer com as produções de fora. E por isso uma categoria exclusiva para eles”, disse Nivaldo.

No filme, o elo entre Brasil e África é retratado poeticamente através da ligação entre a moçambicana que mora em Maceió, Sónia André, e seu país de origem. Ela veio com sua filha de seis anos para estudar Música, na Ufal.

“Mwany” dividiu o prêmio de Melhor Curta Metragem – Júri Oficial com “O que aprendi com meu pai” (GO), de Getúlio Ribeiro.

Segundo a comissão julgadora, “o júri entendeu que esses dois curtas conseguiram um maior equilíbrio entre os aspectos técnicos e artísticos”.

Já na categoria Melhor Curta Metragem – Júri Popular quem levou o prêmio foi “Codinome Beija-flor” (RS), de Higor Rodrigues.

“Codinome…” mistura documentário e ficcão. O diretor colheu entrevistas de três mulheres que descobriram ser portadoras do HIV.  Um quarto entrevistado – que nos créditos finais descobrimos ser  um ator – cria o fio narrativo na história. O jovem é atormentado pelo receio de se descobrir contaminado com a doença, após uma noite de sexo casual.

Na categoria Velho Chico de Cinema Alagoano, destinada ao melhor filme produzido no estado,  o documentário “Salão dos Artistas” (AL), de José Faustino Neto, foi o ganhador.

“O curta conseguiu um bom diálogo com o público, ao unir boa qualidade técnica e narrativa como documentário”, avaliou o júri.

As menções honrosas foram para “No interior da minha mãe” (MA), de Lucas Sá Araújo, “pela forma inventiva como o filme articulou uma relação do realizador com a sua cidade e com sua família”. E para “A moça que existe em meus sonhos” (MG), de Luhan Dias Souza, “pelo esmero no exercício da técnica de animação”.

Saldo
A quantidade de filmes inscritos na terceira edição do festival causou espanto para quem acompanha o evento desde o início. Cerca de 50 curtas foram avaliados, entre os quais 25 aprovados. Na segunda edição, foram 92 inscrições. Desse total, 27 entraram na Mostra Competitiva. A diminuição no número de curtas refletiu na qualidade do que foi visto pelo público.

Os vencedores

Menção Honrosa
“No interior da minha mãe” (MA), de Lucas Sá Araújo, e  “A moça que existe em meus sonhos” (MG), de Luhan Dias Souza.

Melhor Curta Metragem – Júri Popular
“Codinome Beija-flor” (RS), de Higor Rodrigues.

Prêmio Melhor Curta Metragem – Júri Oficial
“O que aprendi com meu pai” (GO), de Getúlio Ribeiro, e “Mwany” (AL), de Nivaldo Vasconcelos.

Prêmio Velho Chico de Cinema Alagoano
“Salão dos Artistas” (AL), de José Faustino Neto.

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