Moda

Verano El Patio #2 from EL PATIO on Vimeo.

O carrossel de ideias da El Patio

Há décadas, as roupas que usamos deixaram de ser peças feitas apenas para cobrir nosso corpo. Hoje, elas são usadas como meio de expressão, de distinção, e “falam” não apenas sobre a maneira de se vestir. Moda é linguagem, comportamento, identidade cultural, design.

Desde o final do ano passado, os apreciadores desse universo em Alagoas – e não só aqui – estão conhecendo um novo nome: El Patio. Idealizada pela alagoana Mariana Cavalcante, a marca funciona como um grande ateliê colaborativo, que pretende expor toda a criatividade de artistas visuais de diferentes lugares, transformando em produto tudo o que é vivido e imaginado por eles.

Para a marca, cada artista convidado desenvolve uma microcoleção. Estampas que se transformarão em roupas, almofadas, acessórios, telas, itens de papelaria e muitas outras peças. A ideia de microcoleções é favorável tanto para a marca, quanto para o artista que a desenvolve. A marca ganha por conseguir se reinventar em diversas personalidades e agradar diferentes públicos a cada coleção. Ninguém sabe o que esperar da El Patio até o artista ser anunciado. Já para o artista, representa uma plataforma diferente de outras marcas. A El Patio propicia essa ferramenta de o artista não apenas se expor, mas de apresentar realmente uma ideia de como é seu trabalho, de quem ele é como artista.

A escolha desses artistas, segundo Mariana, é questão de identificação do trabalho dos próprios com a “cara” da marca. “Começamos com amigos que tem trabalhos incríveis, até agora tudo foi desenvolvido com pessoas que conheci e que aprecio muito o trabalho”, diz.

Entre alagoanos, cariocas, colombianos e espanhóis, que já desenvolveram coleções para a marca – ou estão em processo de desenvolvimento – a idealizadora alega que pessoas de locais tão distintos possibilitam uma variedade de estilos, o que, possivelmente, agrega um público consumidor maior. “São culturas e visões diferentes, e isso é muito legal. Além de ser também uma forma de mostrar os nossos artistas para um público de fora, e os artistas de fora para o público local”.

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Vestido Mari, com estampa de Herbert Loureiro (Foto: Matheus Sandes)

A primeira coleção da El Patio foi desenvolvida com estampas assinadas pelo artista visual e ilustrador alagoano Herbert Loureiro. Não foi a primeira vez que Herbert trabalhou em parceria com Mariana, que é sua amiga há anos. Ele foi o responsável por desenvolver toda a estamparia do trabalho de conclusão de curso dela, que estudou Moda no Istituto Europeo di Design, em São Paulo.

“Aquele foi o meu primeiro trabalho com estamparia e acabei aprendendo muita coisa. Agora, como acompanhei todo o processo de nascimento da El Patio, Mariana me chamou, ainda quando ela morava na Irlanda, para desenvolver as estampas da primeira coleção”, conta Herbert.

O tema da coleção Alto Verão, lançada em novembro de 2013, foi decidido em conjunto. “Como era a primeira coleção, acabamos os dois querendo fazer coisas alegres, divertidas e supercoloridas. Era a primeira “cara” que a El Patio teria e daí era bem importante que a alma da marca fosse bem vibrante. Com isso acabamos decidindo por esse caminho tropical-calorzão-preciso-de-um-picolé-e-uma-saladinha-de-frutas”, diz Herbert.

Já a coleção de acessórios ficou por conta do também alagoano Rodrigo Gilbef, que desenvolveu peças que já faziam parte, de alguma forma, de seu contexto criativo, cheio de elementos orgânicos, coisas da natureza e também coisas mais tecnológicas, com muito brilho, elementos furta-cor e holográficos.

Dessa mistura de elementos saíram colares com pingentes de galhinhos de árvore, pintados à mão; potinhos de glitter, os chamados “potinhos mágicos”; brincos feitos com massa de biscuit e olhos de bonecas e muitas outras bem diferentes e cheias de personalidade.

brinco el patio (1)Brinco olho, de Rodrigo Gilbef para El Patio. (Foto: Matheus Sandes)

Para Rodrigo, a “El Patio surge em um momento histórico muito bom em Alagoas, no qual muitas coisas novas estão saindo do seu lugar”. Ele acredita que diversos fatores favoráveis, como a originalidade da marca e a internet como meio de divulgação e de acesso às peças, já que a El Patio comercializa apenas por meio de loja virtual, trará coisas positivas para a marca.

“É uma marca suave, com uma linguagem de consumo diferente. Mariana tem uma sensibilidade maravilhosa, desde a forma de acolhimento dos artistas até a escolha do que vai entrar na galeria virtual. Em Maceió, os artistas precisam muito se emancipar e, ao mesmo tempo, precisamos de espaços de crescimento enquanto artistas, enquanto produto. A El Patio é uma galeria, uma vitrine virtual, é uma casa onde os artistas podem entrar, deixar seu trabalho e confiar. Eu acredito que o futuro da marca seja esse: criar raízes e crescer”, afirma Rodrigo.

Ainda no início de sua trajetória (o lançamento aconteceu há menos de seis meses), a marca vem, a cada dia, conseguindo seu espaço. Mesmo com uma boa aceitação, ainda há dificuldade em fazer com que as pessoas comprem pelo site, já que roupas e acessórios, por enquanto, são vendidas pela loja virtual (já as peças decorativas, como almofadas, bandejas e quadros são vendidos também na loja Spaço Artes, na antiga Avenida Amélia Rosa, Jatiúca).

almofadaAlmofada abacaxi, uma das peças de decoração da primeira coleção da marca

Sempre ligada em moda e design, a estudante universitária Amanda Soares é uma grande fã da marca. “Gosto das cores e da identidade que elas possuem. Quando vi as peças, senti na hora que eram a ‘minha cara’, coloridas e sempre trazendo, mesmo que implícito, um pouco da nossa cultura”, alega.

Entre os artistas que já colaboraram ou estão colaborando com a marca, há um espanhol, Sergio Mora; um colombiano, Sergio Roman; uma carioca Giovana Delvaux; e quatro alagoanos: Herbert Loureiro, Rodrigo Gilbef, Mayara Leão e Antonio Castro; além da produção fixa da própria Mariana.

Para ela, ter alagoanos sempre colaborando de alguma forma é de extrema importância. “Sou daqui e sei como é difícil estar nesse meio em Maceió. As pessoas, de uma forma geral, não valorizam o artista, não valorizam o mercado local. É a velha história do “o que vem de fora é melhor e vale mais”. E muitas vezes isso não é verdade. Por exemplo, em Barcelona, na minha tese, mostrei trabalhos de amigos daqui de Maceió e a banca ficou impressionada, querendo saber quem eram eles. Todos amaram.  Temos potencial, temos gente boa aqui também”, conclui Mariana. 

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