Cinema
Cinema verdade

Cinema verdade

É surpreendente o crescente interesse do público pelo cinema documental brasileiro. Dirigido pelo cineasta Walter Carvalho, Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio atingiu um feito inédito no ano em que foi lançado, em 2012: ultrapassou a marca dos cem mil espectadores, tornando-se um dos títulos do gênero mais vistos nas salas brasileiras. É fácil compreender o porquê do boom que o gênero experimentou no Brasil na última década. Uma das razões surge da relação bem sucedida com a música. Prova disso é a explosão de obras audiovisuais que retratam a trajetória de artistas como Arnaldo Baptista, Caetano Veloso, Cartola, Maria Bethânia, Titãs, Legião Urbana e Wilson Simonal.

O casamento entre música e cinema deu tão certo que, sem sombra de dúvidas, irá durar por muito tempo. E é apostando as fichas nele, que o Centro Cultural Arte Pajuçara apresenta o Arte Doc. – uma sequencia do extinto Sesi Doc., que chegou a ter quatro edições. Desde segunda-feira (28), a mostra exibe as mais recentes produções em documentários produzidos no país e também no exterior.

Nesta quarta-feira (29), terceiro dia do festival, ganha a telona os filmes: Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar; Tim Lopes – Histórias de um Arcanjo, de Guilherme Azevedo; As Hiper Mulher, de Carlos Fausto; e Que Estranho Chamar-se Federico, de Ettore Scola, que revela a vida e obra do gênio do cinema italiano, Federico Fellini.

Ampliando seu menu, neste ano o Arte Doc. encerra amanhã, quinta-feira (31), com show de Júnior Almeida e Wado. No dia, antes dos músicos subirem ao palco, serão exibidos os longas: Dominguinhos, que tem direção de Mariana Aydar, Eduardo Nazarian e Joaquim Castr, e conta a vida do sanfoneiro, cantor e compositor Dominguinhos (1941-2013), discípulo de Luiz Gonzaga; e Olho Nu, do diretor Joel Pizzini, que traz uma narrativa documental da vida e obra do cantor Ney Matogrosso, a partir de imagens e sons reunidos pelo artista.

Para ver e ouvir
“A gente quer que todo o espaço se comunique”, disse Felipe Guimarães, um dos três sócios do Arte Paju, em entrevista ao blog Graciliano On-line na ocasião da reabertura do espaço. “Nossa missão aqui é promover essa ambiência cultural, onde as pessoas comecem a vir também pelo espaço de convivência e não só pra assistir algum filme. Mas pra conversar, fazer reuniões, tomar um café ou ler um livro.”

A ideia tem dado certo. Programas como o Corujão e o Chá de Cinema – resgatados do calendário de eventos do extinto Cine Sesi –, continuam a atrair um público interessado em experiências sensoriais que ultrapassam a sétima arte e que permitem o contato real dos espectadores com importantes nomes do cinema nacional, como Edgard Navarro, Cláudio Assis, José Mojica Marins, Cacá Diegues, Anna Muylaert e Selton Mello, entre outros.

O Arte Doc. busca potencializar esta proposta com a exibição de documentários sobre a música brasileira, ao lado de shows com artistas alagoanos. “Nós conseguimos assim atrair também o público que gosta de música. E colocamos em prática o projeto de fomentar um espaço que permita o contato com as artes em geral, tanto através da nossa galeria de arte e do teatro, como do cinema e também de apresentações musicais”, observou Felipe Guimarães. 

Confira abaixo mais detalhes da programação:

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Centro Cultural Arte Pajuçara (Av. Dr. Antônio Gouveia, 1113, Pajuçara). Hoje (30) e quinta-feira (31), em diversos horários. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – filme + show; R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia) – demais sessões. Mais informações: 3235-5191.

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