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Pra ficar Tunado!

Pra ficar Tunado!

Em 2014 a cena musical alagoana ganhou um novo – e grande – aliado. O programa TUNE, idealizado por um grupo super jovem e antenado (ou tunado), veio para provar que boas ideias devem sair do papel e podem, muito bem, dar certo. Basta ter força de vontade, dedicação e boas parcerias!

Com uma equipe que faz parte da cena alagoana não apenas como espectadora – alguns tocam em bandas como a Dof Lafá, Troco em Bala e A Flor de Zíaco – o Tune faz muito mais do que apresentar e valorizar bandas autorais de Alagoas, o programa serve também como incentivo para que elas estejam sempre com novas composições e projetos para apresentar ao público.

Criado inicialmente para veiculação via YouTube, o programa, que já está na sua segunda temporada, alcançou um público fiel e a atenção de pessoas além do mundo musical. Com edições que chegam a ter mais de 2.000 visualizações na internet, recentemente o TUNE foi parar na TV Mar (canal 25 da Net).

O Blog Graciliano On-line bateu um papo com Toño Oiticica, um dos responsáveis pela trajetória, ainda curta, mas já satisfatória, do TUNE! e conta um pouco sobre o que está por trás deste projeto que está dando o que falar. Confira!

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GRACILIANO – O TUNE! visa fortalecer a cena musical autoral de Alagoas. Como, de quem foi e quando surgiu a ideia de criar o programa?

TUNE – Essa ideia de ter um programa era algo que muita gente, creio eu, sempre teve. Principalmente depois que isso explodiu na TV e com as diversas Live Sessions que rolam na net. Quem tomou a iniciativa foi o Filipe e daí foi chamando todo mundo pra compor esse projeto, lá no final de 2013, formando hoje essa equipe que faz o TUNE rolar desse jeito que todo mundo tá acompanhando.

A equipe é relativamente pequena. Como foi formada e como foram divididas as funções?

Acredito que esse número, relativamente pequeno, de pessoas é o ideal pra demanda do programa hoje. Caso o projeto tome maiores proporções no futuro, teremos que rever isso. Mas por enquanto estamos seguindo bem com esse pessoal. E as funções são divididas de acordo com a aptidão de cada um. Ou seja, se você saca de filmagem, trabalha nesse âmbito da gravação das imagens, se escreve bem, pende pra esse lado de  elaborar as pautas, fazer as postagens no Facebook. E nós também acumulamos funções, ninguém faz uma coisa só no TUNE, por isso o trabalho acaba sendo bem puxado, mas proveitoso sempre e, por enquanto, estamos conseguindo realizá-lo com essa equipe.

Alagoas, apesar de um Estado pequeno, possui uma cena musical vasta. Até agora, em poucos meses de programa, vocês já apresentaram seis bandas (A Flor de Zíaco, Dof Lafá, Mazé, Troco em Bala, Palhaço Paranóide e Unidade Nova Praia). Como elas são escolhidas?

 A forma de escolha das bandas é feita pela curadoria, que é composta por nós que fazemos o TUNE. Nós temos recebido muito material e isso nos tem ajudado para que possamos observar quem chamamos, mas vale ressaltar que tocar no TUNE não pode ser algo isolado e sim parte de um projeto da banda ou artista que esteja correndo atrás. Por nós estarmos envolvidos na cena cultural da cidade temos a convicção de que essa cena, principalmente a musical, só vai pra frente quando as bandas se derem conta que precisam lançar material, gravar clipe, gerenciar bem suas plataformas de comunicação, fazer tour. Correr atrás. Isso vale muito quando vamos escolher uma banda pra fazer o programa, escolher pessoas que estejam lutando pra crescer no cenário.

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Felipe De Vas e Os Carburados gravam para a segunda temporada do programa

Em um local que depende de iniciativas do tipo “faça você mesmo” para que as coisas aconteçam, como vocês veem a importância do Tune! para a cena musical daqui?

 Sabemos que temos um papel importante, mas também seria cedo pra dizer que estamos prestando um serviço a cena. Acho que tanto como nós, muita gente olha pro TUNE e torce pra que dê certo. E isso é muito legal, saber que tem muita gente dando força. A cena musical é precária e segue essa filosofia do “faça você mesmo” realmente, mas estar fazendo algo e mostrar que nós tomamos partido e fizemos rolar por conta própria pode gerar uma vontade maior pra todo mundo também tentar fazer o seu projeto rolar. E isso mostra que a cena está reacendendo. Mas é preciso mais continuidade para que realmente vigore. Acho que é isso que falta no geral, continuidade e persistência. E demos o nosso passo nesse aspecto, somos semanais agora na TV.

O programa começou no YouTube e, em pouco tempo, migrou para a TV. Qual a importância e os benefícios de plataformas como o YouTube para o sucesso do programa?

 Nós passamos pouco tempo, migramos para a TV, que nos deu mais visibilidade, mas ainda estamos no YouTube por acreditar que seja uma plataforma que permite um alcance diferente da televisão. Na telinha o tempo acaba sendo mais curto, você consegue assistir um programa inteiro de meia hora facilmente. Na internet muita gente não tem paciência. Mas o programa continuará lá para quando você quiser ver, ao contrário da TV. Além de certa forma democratizar mais o acesso. A internet é um espaço de livre expressão, o feedback ocorre de forma quase instantânea e as pessoas se envolvem mais profundamente com o produto. O YouTube não é para nós um canal de repouso dos vídeos, mas um local de atuação do TUNE, onde podemos dialogar com nosso público da internet, que é muito vasto e antenado. Ou tunado!

O crescimento e o reconhecimento do TUNE! foi rápido. Como foi o convite para veicular o programa na TV Mar? Vocês esperavam que o programa fosse migrar tão rapidamente para TV?

O convite se deu através do Octávio Yuri, que dirige a parte de filmagem do programa. Nós começamos o programa de forma despretensiosa, para poder ter um registro audiovisual das nossas bandas. A ideia alcançou muita gente, dentre elas pessoas da TV Mar. O convite veio e não recusamos pois vislumbramos uma grande chance de aumentar o alcance da nossa mensagem e chegar a um maior público.

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Filipe Mariz, Renata Baracho, Alzir Lima e Toño Oiticica divulgando o TUNE! no dia de sua estréia na TV Mar

As redes sociais têm um papel essencial na divulgação de iniciativas desse tipo, como vocês avaliam a importância do Facebook, por exemplo, para o TUNE?

O Facebook com certeza é uma plataforma fundamental para que tenhamos nossa divulgação bem feita. Mas a grande chave foi a boa receptividade do público perante a proposta que trazemos. Conseguimos conquistar um público fiel e hoje sendo semanal conseguimos gerar uma ansiedade pelo próximo programa, principalmente na rede, que toda segunda divulgamos pelo Facebook.

Com o exemplo do TUNE! e de como vocês estão dando certo, acredito que várias pessoas estejam tomando coragem para botar para frente projetos que até então estavam adormecidos por “medo de não dar certo”. O que vocês acham desse bom exemplo que vocês estão dando, com toda a coragem que tiveram para realizar algo sem precisar da ajuda “de ninguém”?

 Nós realizamos um programa através da nossa iniciativa, mas para que rolasse foi preciso que muita gente se organizasse. Essa visão clara de que não teríamos conseguido sem a colaboração de várias pessoas é muito importante. E com certeza, está dando certo e realmente queria que isso servisse de ponto de partida para quem ainda tem medo de fazer algo seu. Acho que é de se pensar quanto a isso de começar a produzir algo é legal ir sem pretensão de bombar, de ser sucesso. Talvez muita gente não comece porque acha que não consegue fazer rolar com qualidade, mas a primeira temporada do TUNE em comparação a segunda que tá rolando agora é muito grande, ou seja, nós melhoramos de uma pra outra. E o aprendizado que estamos acumulando servirá para melhorarmos ainda mais. Outra coisa muito importante é se juntar com outras pessoas. Nós precisamos uns dos outros, ninguém é uma ilha, e trabalhar em equipe é muito mais proveitoso e divertido. Além de ser uma lição de humildade, ao meu ver.

Quais os planos futuros do TUNE?

Já nessa temporada pra TV Mar nós mudamos o formato do programa. Aumentamos o número de músicas para três por banda/artista e aumentamos o tempo de entrevista também, além de colocar um novo quadro, que vem ao final de cada programa, chamado Panorama. A proposta desse quadro é mostrar o dia a dia das produções e dos atores culturais da nossa cidade e Estado, cobrindo eventos ou conversando com pessoas donas de plataformas, fotógrafos, ilustradores, ou seja, a galera que trampa na cena. E nós sempre conversamos sobre o que podemos fazer de novo, portanto queremos sempre inovar, lançar novas formas de fazer o programa, mas hoje estamos bem focados nessa primeira temporada da TV, pra também sacar como funciona esse formato, que pra gente ainda é novo.

QUEM FAZ O TUNE

Direção: Octávio Lemos
Assistente de produção: Arnaldo Alves
Produção Executiva: Antônio Oiticica
Supervisor de som: Filipe Mariz
Edição: Alzir Lima, Octávio Lemos, Vitor Falcão
Motion Designer: Serivaldo Jr.
Direção de Produção: Filipe Mariz
Direção de Fotografia: Alzir Lima
Op. de Câmera: Alzir Lima, Daniel Rocha, Vitor Falcão, Lucas Barbosa, Octávio Lemos
Apresentação: Renata Baracho
https://www.facebook.com/programatune
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