Entrevista, Música

O samba de Wilma Araújo

Tímida, a cantora alagoana Wilma Araújo começou sua vida artística nos festivais de música. Durante uma das suas apresentações, o violonista Baden Powell elogiou a suavidade de sua voz. Este foi o empurrão que precisava para mergulhar de vez no universo musical.

Ao longo da sua trajetória, Wilma acostumou-se a cantar só o que gosta. No palco, MPB, forró pé de serra, ciranda, frevo, valsa, choro e samba predominam o seu setlist. A escolha foi acertada. Aos poucos, ganhou cada vez mais um público cativo, interessado em ouvir a sua voz afinada e suave.

Em novembro de 2005, participou do espetáculo de inauguração do Teatro Gustavo Leite, do Centro de Convenções, ao lado de Djavan, o homenageado da noite, e de outros artistas alagoanos. No mês seguinte, esse mesmo espaço, absolutamente lotado, sediou o lançamento do irrepreensível e carismático Beleza Delicadeza, o primeiro CD solo, com tiragem de 3 mil unidades. O disco reúne composições de artistas alagoanos e alguns dos ídolos da cantora, como Djavan, Tavito e Ivan Lins.

Anos mais tarde, era a vez de apresentar aos alagoanos o seu segundo trabalho. Dessa vez, realizado em Maceió, o disco contou com a produção de maestro Almir Medeiros. “E tem uma coisa que eu gosto muito de dizer: é que a qualidade dele é maravilhosa. Não tem nada a dever para qualquer VD nacional que tenha sido lançado hoje e olha que ele foi feito em 2005”, disse em entrevista à revista Graciliano, n. 17º.

Agora, saindo do forno, Wilma decidiu se entregar de vez a melodia do samba. Feliz de Quem se Dá por Inteiro,  seu terceiro disco , foi lançado no início desse mês.  Gravado durante três anos, entre Maceió e Recife, o disco tem um título apropriado, roubado da faixa 4, presente de Junior Almeida. Wilma, que há anos tem se dado por inteiro à música, contempla agora toda a maturidade de seu samba.

Com direção e produção musical do instrumentista e compositor Jorge Simas, coprodução da própria Wilma e Marcus Vinícius, o CD reúne 14 faixas. Doze delas levam arranjos de Simas, tendo os dois frevos que compõem o disco, “De Chapéu de Sol Aberto” e “Ponta de Lápis”, arranjos de Almir Medeiros.

No bate-papo  a seguir, Wilma falou sobre o seu mais novo disco, o processo de produção, a parceria com Jorge Simas e muito mais! Confira.

Samba, choro, pé-de-serra… são alguns dos estilos que deixam você em casa musicalmente falando. O que te atraem neles?
Porque são músicas brasileiras, que é a que eu gosto de cantar. Não canto canções em outras línguas. A minha “queda” é pela MPB, bossa, samba, pé de serra… 90% das vezes eu estou ouvindo a música nacional.

Qual CD ou artista você está ouvindo mais ultimamente? 
O álbum que está tocando no meu carro hoje é o mais recente da Spok Frevo Orquestra. Um CD instrumental de frevo deles, que é todo instrumental.

O terceiro disco levou três anos para ser finalizado. Como isto se refletiu no álbum?
Do tempo de pensar em gravar e, finalmente, fazê-lo, trouxeram algumas mudanças no que eu tinha planejado inicialmente. No princípio tinha pensado em ter só um samba, e no final, eu acabei acrescentando dois frevos.

Feliz de Quem se Dá por Inteiro marca sua maturidade musical. Qual lugar ele ocupa na sua carreira?
O meu primeiro CD, Princípios, foi um presente que ganhei para gravá-lo, e tinha tiragem limitada. Anos depois, saiu o segundo. Nele, priorizei gravar com músicas alagoanas. O resultado foi um lindo, com belos arranjos, leve. Nesse meu trabalho mais recente, o Feliz de Quem se Dá por Inteiro o retorno que tenho recebido até agora tem sido muito positivo. As pessoas estão muito encantadas. E eu também.

Feliz de Quem se Dá por Inteiro reuniu dentro dos estúdios nomes como Cezzinha, Carlos Bala, Félix Baigon, Fernanda Guimarães, Joatan Nascimento, Marco Cezar, Adilson Bandeira, entre outros. Como foi trabalhar com todos eles?
Na verdade, a parte maior foi gravada em Recife e com músicos pernambucanos. Daqui mesmo para participação só foi a Cezzinha, Carlos Bala, Félix Baigon, Fernanda Guimarães. Os frevos foram os que eu gravei aqui com o Almir. E a gente priorizou as músicas daqui. Para mim foi uma grata alegria tocar com o Carlos Bala, que é um música que todos admiram, respeita, um mestre. E Baigon que é bastante conhecido também e nosso amigo. A nível de CD a minha alegria foi ter encontrado no meio do caminho Jorge Simas, que toca violão de sete corda em todas as faixas. Simas é um músico muito experiente, tocou com Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Elizete Cardoso e Lula Nogueira. Para mim isso foi um presente para a vida.

Como nasceu a parceria com Jorge Simas?
O Jorge é carioca, mas hoje ele mora em Pernambuco. Nas minhas idas a Recife para me encontrar com uma amiga, a cantora Kelly Rosa, que também participa do disco, nos conversamos bastante sobre música. E quando teve um show do Djavan, na abertura do show, e aí eu convidei ele depois, que topou o convite.

Como se deu o interesse por gravar o disco em Recife?
O CD foi gravado tão unicamente porque Jorge mora lá, pois é aonde ele reside e conhece várias pessoas que trabalham com samba.

Os clips das faixas presentes no terceiro álbum tem tido certa repercussão das redes sociais. Quais os comentários das pessoas que acompanham o seu trabalho?
As pessoas estão achando os clips lindos. Estão sendo bem aceitos. Eu gostei do resultado final. Todo mundo achou muito bonito. Tanto o Feliz de Quem se Dá…, dirigido pelo Henrique Oliveira, da Panam. Eu acho que o vídeo merece ser visto por muita gente. E eu espero que seja por bem mais.

O que você espera deste novo álbum?
Espero, sinceramente, que eu possa alcançar os públicos que não são só alagoanos. A música tem esse poder de ultrapassar as barreiras e aproximar as pessoas. Espero subir em outros palcos, pelo Nordeste, no Rio… A gente vai sonhando e tentando ver se consegue realizá-los. Os shows de lançamento devem acontecer em março. O retorno tem sido bastante gratificante pra mim.

O disco pode ser encontrado, em breve, no estande do Maceió 40º, no shopping Maceió.

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