Literatura
Acabou chorare

Acabou chorare

No abismo que divide os que pertencem e os que estão fora das panelinhas literárias do País, o escritor amazonense Diego Moraes faz parte da SERASA dos “não eleitos”. Todos os anos, ele ficava impaciente com as reclamações – e não eram poucas – dos autores ressentidos por não figurarem na lista dos convidados pela Festa Literária Internacional de Paraty.

Foi assim até Diego decidir se aliar as ferramentas digitais, justo elas que causaram tantas mudanças na logística das grandes editoras, para promover a Flipobre – primeiro festival literário feito por meio de chat de vídeo e com transmissão ao vivo pelo YouTube (http://goo.gl/1mvQ9h). Agora, decretou, é a nossa vez. O evento on-line acontece neste domingo, dia 7 de dezembro, às 15h.

Para organizar a iniciativa, o amazonense contou com a ajuda do escritor paraibano Roberto Menezes, autor de “Palavras que devoram lágrimas” – romance vencedor do Prêmio José Lins do Rêgo.

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Diego Moraes, idealizador da Flipobre

Não foi difícil encontrar escritores que topassem participar da Flipobre. Mais de 40 autores — publicados por editoras como Bartlebee, Patuá, Alfaguara, Multifoco e Record — estão confirmados para o encontro. Entre eles, Ricardo Lísias, Roberto Menezes, Daniela Lima, Lucas Barroso, Tadeu Sarmento, Adriane Garcia e. Celemar Maione.

O alagoano Nilton Resende está na mesa redonda de abertura do festival. Ao lado dele, Carlos Henrique Schoereder e Alfredo Garcia Bragrança debatem sobre o homenageado desta edição, o carioca Lima Barreto (1881-1922).

“Sou amigo de Facebook do Diego e do Roberto. Ao ver o evento, perguntei ao Diego se a programação já estava fechada; então, ele me convidou. Na verdade, ele percebeu meu interesse e aceitou-me”, conta Nilton sobre como surgiu a oportunidade para participar da Flipobre.

Na programação, seis mesas redondas trazem temas que envolvem os problemas da maioria dos escritores pobres do Brasil. Entre os temas, estão: Machismo na literatura; O Brasil tem muito escritor para pouco leitor?; Editora pra quê? A internet como ferramenta de divulgação de literatura inédita; e outros.

Sobre os assuntos a serem debatidos, Nilton verifica certo engajamento político. “Vejo [os temas] justamente como uma opção política. Uma busca de iluminar o que tem sido posto de lado nos outros eventos. Uma busca, inclusive, de quebrar o bom-mocismo da maioria dos eventos”, destacou.

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Escritor alagoano Nilton Resende participa da primeiro festival literário da internet

O alagoano é também um entusiasta do uso da internet para levantar discussões sobre a qualidade da Literatura Brasileira, se ela ainda pode ser medida pelo endereço ou editora que cada escritor publica.

“Muitos dos autores presentes na Flipobre não publicaram livros ou não os publicaram por grandes editoras ou os publicaram apenas em formato digital. Esse evento dá a eles uma visibilidade. E mais: estão presentes na Flipobre autores relevantes no que concerne a nossa produção atual, como é o caso do Diego Moraes, cuja prosa e cuja poesia carregam uma força invulgar.”

Nilton, assim como o idealizador da iniciativa, Diego Moraes, concorda que a Flipobre pode quebrar a muralha criada pelos já conhecidos eventos literários, os quais distanciam cada vez mais o público leitor da literatura.

“São eventos ‘ambíguos’. Elas chamam atenção para os livros, para autores, mas o acesso a eles é reservado a quem tem grana para participar. E mais: eles, com os autores convidados, são apenas um recorte da produção. A cada novo evento, surge o novo grande autor brasileiro da contemporaneidade. Um autor que possivelmente terá menos espaço na outra edição do evento, para que um outro ocupe seu lugar. A fabricação de ídolos é perene. Isso, no entanto, não é algo para causar admiração, afinal, neste sistema, tudo é assim. O bom é não darmos atenção demasiada a eles ou não dar atenção apenas a eles, como se ali estivesse representada nossa produção”, pontuou.

Confira abaixo a programação completa:

Abertura – Lima Barreto
Nilton Resende.
Carlos Henrique Schoereder
Alfredo Garcia Bragrança

MESA 2 – Machismo na literatura.
Jarid Arraes
Dinha Maria Nilda
Laura Folgueira
Jéssica Balbino
Luciana Hidalgo
Giovanna Dealtry
Adriane Garcia
Daniela Lima

MESA 3 – O Brasil tem muito escritor para pouco leitor?
André Ricardo Aguiar
André Timm
Bruno Ribeiro
Diego Moraes
Fabiano Calixto
Frank Vilar
Lucas Barroso
Roberto Menezes
Talles Azigon

MESA 4 – As relações perigosas: como, quando e por que as esferas ética e estética entram em conflito.
Aline Job
Betzaida Tavares Daniela Lima
Jeferson Tenório
Marco de Menezes
Tiago Ferro

MESA 5 – Editora pra quê? A internet como ferramenta de divulgação de literatura inédita.
Bruna Mitrano
Carlos Alberto
Felippe Regazio
Heitor Nunes
Isabela Penov
Jean Albuquerque
Luciano Portela
Maikel de Abreu
Vanessa Almeida

MESA 6- Formação de leitores. Caminhos e responsabilidades do autor e do editor.
Adriane Garcia
Diniz Gonçalves Junior
Diovani Machado
Jorge Churio
Norma Souza Lopes
Nina Rizzi
Sergio Bernardo

Transmissão, ao vivo, pelo canal do YouTube: http://goo.gl/1mvQ9h. No dia 07 de dezembro, às 15h.  Mais informações: (83) 8180-7879 ou http://goo.gl/ylT8lv

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