Música
As capas que não saem da cabeça

As capas que não saem da cabeça

Quem nunca se emocionou ao rever a capa de um disco que, de alguma forma, fez parte da sua infância ou adolescência? Hoje, os downloads tornaram os projetos gráficos na área de música quase invisíveis, mas no passado eles estavam diretamente ligado à trajetória de cada álbum – quando a capa impactava, vendia mais, ganhava espaço maior na imprensa e, não raro, virava assunto entre os fãs do disco.

Embora, as capas tenham deixado de ter a importância de antes, guardamos na memória aquelas que tem um significado especial pra gente. Por isso, convidamos quatro pessoas para relembrar três “embalagens” de discos que eles não esqueceram. Como a brincadeira é boa, também listei as minhas. Vamos relembrar?

 

 yes

 Yes

“As capas do Roger Dean para o Yes são ilustrações fantásticas. Nos dois sentidos, inclusive, e justo esta ‘viagem’ me encantava.”

jazz

Jazz

“E posso dizer que todas as capas de discos de jazz dos anos 40 aos 50. Outro conceito de ilustração. E nestas me encanta a elegância. Não tenho grandes emoções com capas com a foto do artista.”

CRIS BRAUN

Cantora e compositora

 

Beatles19621966

The Beatles 1962–1966

“Na casa onde morei, com minha mãe e meu padrasto, e também na casa dos meus avós paternos, onde eu passava as férias, volta e meia ouvia algumas músicas que mais tarde ficaria sabendo ser de uma mesma banda. Tinha até um vídeo karaokê que minha mãe e meu padrasto cantavam Twist AndShout e eu adorava, mas não tinha ideia do que era aquilo. O álbum que me marcou e que me fez conhecer que banda era essa foi o The Beatles 1962–1966. Aquele álbum duplo de vinil e de capa vermelha, que ficava na casa do meu pai, foi o que me apresentou à música. Lembro-me de ir pra sala dele, pegar o álbum vermelho e botar pra tocar na vitrola durante toda a tarde. A música que eu mais gostava era SheLovesYou. Já na adolescência, numa das idas à casa do meu pai, voltei com o álbum, que ainda tenho e que hoje toca na vitrola lá de casa.”

Top_Model_-_Internacional

Novela Top Model (nacional e internacional)

“Quando eu vinha de férias pra Maceió sempre ficava alguns dias na casa da minha avó materna. Lá na casa dela, no bairro do Farol, a sala tinha uma pilha de vinis. Dentre eles, dois me chamavam atenção: os vinis da novela Top Model (nacional e internacional); que eu pensava ser uma coisa só. O nacional me marcou por duas músicas: Oceano (Djavan) e HeyJude numa versão em português interpretada pelo Kiko Zambianchi. Eu não parava de ouvi-las e achava as melhores músicas do mundo (meu mundo!). Já o internacional ficou gravado pela capa com a Malu Mader, a mulher mais linda que os meus 9 anos de idade conhecia. Hoje em dia, quando lembro destes vinis, lembro do vinil da Malu com as músicas Oceano e HeyJude. Acho que criei esta combinação no meu imaginário.”

Legião

Legião Urbana – Música para Acampamentos

“O disco surgiu na minha vida para me apresentar quem era a banda que tocava as músicas em português que eu mais gostava. Eu ouvia na rádio músicas como Será, Há Tempos e Pais e Filhos e nem fazia ideia que eram de uma mesma banda. Um dia na escola, um colega trouxe um disco de capa verde com o desenho de dois violões e um tambor, com o título Música para Acampamentos. Fiquei doido naquela simbologia, principalmente pelo fato de gostar muito de acampar e cantar músicas em volta da fogueira, e pedi pra escutar que músicas eram aquelas. Descobri as músicas, as letras e a banda que eu mais gostava. Há uns meses, eu e Renata, minha namorada, estávamos vendo uns vinis no Centro de Maceió e achei o álbum duplo e verde da Legião. Foi difícil conter a felicidade e não demonstrar para o vendedor que eu queria tanto aqueles vinis. Alguns minutos de negociação e levei o álbum pra casa com a mesma alegria quando tive quando o conheci em 1996.

FELIPE CHAVES GUIMARÃES

Jornalista

 

Beatles19621966

The Beatles – 1962-1966

Chamava-me atenção a cor da foto e os sorrisos jovens e espontâneos. Talvez seja a lembrança mais antiga que eu tenha: de ver este disco em casa e ficar observando os quatro rapazes de Liverpool.”

 Gita

Raul Seixas – Gita

“Vi esta capa quando criança e me chamava muito atenção o visual e a guitarra dele na capa. Isso me intrigou a ouvir.”

decada explosiva romantica

Década Explosiva Romântica

Em LP ou CD, todas as casas tinham este disco na década de 90, quando cresci, e a imagem do trio sorridente na praia nunca saiu da minha memória. Saudade de um tempo que não vivi.”

 GIVLY SIMONS

Cantor e compositor

 

antonio-carlos-jocafi-cada-segundo

pholhas P

quinteto-violado

Antonio Carlos & Jocafi, Os Pholhas e Quinteto Violado

“Nasci em 1958, então na minha infância disco era raro, mas lembro bem de Antonio Carlos e Jocafi, Os Pholhas e Quinteto violado, que meu pai adorava”.

 AGÉLIO NOVAES

Artista plástico

WaldirAzevedoFrente

 Waldir Azevedo

“Essa capa tem uma história engraçada. Quando criança, talvez uns 5 anos, descobri que a garota vestia uma camiseta igual a uma que eu tinha. Quando disse isso ao meu pai, ele tratou de dizer que a criança na capa era eu. Sim, eu acreditei nessa história durante um tempo. E nunca esqueci a capa nem o disco, que traz uns chorinhos desse mestre do cavaquinho.”

Demis

 Demis Roussos

“Como meu pai trabalhava, nos anos 80, com propaganda e gravação de áudio para comerciais, a discoteca da minha casa era grande e bem eclética. Tinha de tudo. Esse disco do cantor grego exerceu o fascínio que o medo e o mistério exercem sobre todas as crianças numa determinada fase. Eu tinha medo dessa capa, mas adorava ficar olhando esse estranho desenho de um homem com olhos brilhando, barba cerrada e figuras nuas deslizando nela. Nunca entendi essa capa, mas ela era muito marcante pra mim.”

nat

Nat King Cole

“Eu gosto desse disco até hoje, mas também foi na infância que ele entrou pra minha memória. Meu pai ouvia muito e depois tivemos um vizinho gente boa que colocava o álbum pra tocar todos os sábados, impreterivelmente. E ouvia enquanto bebia uísque. Era uma espécie de rotina boa que, na infância, dá uma sensação muito agradável. O disco é resultado de uma viagem, como a capa sugere, do Nat pela América do Sul, nos anos 50. Eu gosto muito, especialmente o espanhol e o português truncados dele. E tem uma participação de Dalva de Oliveira que é maravilhosa.”

Janayna Ávila

Jornalista

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