Música
Sem véu nem vaidade: Felipe de Vas se consolida na cena musical alagoana

Sem véu nem vaidade: Felipe de Vas se consolida na cena musical alagoana

TEXTO: MORENA MELO

Do apartamento 604, localizado na parte baixa de Maceió, nos arredores da praia, onde acontecem os encontros para produção de seu primeiro álbum, Felipe de Vas alcança os mundos guardados nas janelas dos prédios ao lado e nos bairros distantes. Fala sobre amor, aflição, altruísmo, confiança e amadurece musicalmente, arriscando arranjos mais livres.

Ao ouvir as primeiras canções, ainda cruas na voz e no violão de Felipe, a sensação é de estar em um apartamento, em um fim de tarde, e assistir o ocaso como quem assiste os movimentos de uma dança. Mas a dança é contemporânea e o ritual entre o entardecer, as estrelas e o acender das luzes nos prédios vizinhos não é previsível, provoca mais que melancolia.

As músicas novas de Felipe de Vas são confessionais como as que fazem parte do Ep Lampejo (2014), mas trazem um frescor atual e a chancela da produção de Dinho Zampier e Wado.

“A pré-produção tem sido muito minuciosa. Eu e Dinho estamos buscando os respiros e pulsações de bumbo e caixa antes de levar as músicas ‘pros’ ensaios, fazemos isso música por música, uma por dia. Estamos desenhando a instrumentação para que a peça no todo tenha sentido e esteja consonante com as canções dele”, detalha Wado.

O álbum será lançado com dez músicas, entre elas o single Sem véu nem vaidade e releituras do despretensioso Ep Lampejo. Lançado no ano passado, o Ep reuniu as composições de Felipe em uma gravação que acabou rendendo o show de abertura da apresentação de Frejat, no Festival Maceió Verão, e o show de abertura para a a apresentação de Marcelo Jeneci pelo projeto MPB Petrobras, no Teatro Gustavo Leite.

 

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“O EP foi um trabalho meu com os produtores musicais Junior Braga e Ismael Simão. Eles têm uma certa avidez para o Jazz. Então, apesar do EP não ter ritmo específico, a cara dele ficou um pouco mais clássica, com arranjos e timbre de teclado e guitarra mais padronizados. Pra mim foi massa que eu não sou nada clássico, então foi 100% mistura esse trabalho”, explica Felipe.

A constante entre os dois trabalhos – além das confissões melódicas e do deslocamento entre gêneros musicais, como o samba e o indie – é a presença do canto natural. O canto do compositor, que se atém mais às intenções da letra do que à virtuose, o canto mais emocional que racional. Aquele canto onde a respiração aparece com a suavidade de quem está perto do ouvinte.  São essas permanências de Felipe que estão sendo levadas, junto com Wado e Dinho Zampier, para um novo momento da sua carreira.

“Esse disco tem um amadurecimento muito visível do Felipe. A música dele é um pop moderno que precisava ser lapidado. Nas releituras que fizemos pra o disco, conseguimos ser bem arriscados nos arranjos”, explica o maestro Dinho Zampier, produtor musical e tecladista que se destaca na cena alagoana e transita por projetos como o sucesso kitsch Figueroas Lambada Quente, a banda Xique Baratinho, que consegue como raras unir rock e regionalismo sem cair em clichês, e o próprio Wado, reconhecido por uma discografia inventiva, composta por álbuns que não se repetem.

Para Felipe, a experiência de gravar com Dinho e Wado tem sido “’Putz’, honra até demais. Logo no meu primeiro CD! Se pudesse escolher no mundo todo quem faria a produção musical do disco, escolheria eles dois. Tem sido filosófico, engraçado, ébrio, sóbrio, empático, teórico e, acima de tudo, com uma sintonia e equilíbrio incrível”. Os encontros para pré-produção do disco têm sido registrados na série documental Apartamento 604 e podem ser vistos no YouTube.

Até o final do ano, as canções devem partir do apartamento 604 para ganhar o mundo em formato de álbum. “Acho que será uma estreia arrebatadora. Ele comunica muito e de forma bem ampla, uma voz jovem que pode falar pra todos”, projeta Wado.

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