História, Revista Graciliano
Cangaço é tema da revista Graciliano

Cangaço é tema da revista Graciliano

O cangaço é um dos acontecimentos mais importantes na história da formação do Brasil. Ao contrário do que aprendemos superficialmente, as origens do fenômeno podem ser verificadas muito antes de Lampião e seu bando – na verdade, muitos séculos antes.

Indispensável para se entender a história do país, o cangaço é o tema do número 23 da Revista Graciliano – publicação da Imprensa Oficial de Alagoas –, que chega às bancas e livrarias nesta terça-feira 22.

Reportagens de fôlego revisitam os acontecimentos que abalaram a República brasileira na década de 1930 – acontecimentos que, entre os aspectos mais relevantes, escancaram a promiscuidade entre o banditismo rural, poder econômico, política e religião.

Um dos destaques é uma entrevista exclusiva com o historiador Frederico Pernambucano de Mello, referência obrigatória no tema. Sua abordagem, arrojada e inovadora, pode ser conferida em obras como Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil, considerado um marco nos estudos sobre o cangaço.

Chefiados por Lampião – o homem e a lenda –, os cangaceiros foram heróis e vilões ao mesmo tempo. Praticavam chacinas, arrasavam povoados, desmantelavam famílias. Diante deles, a vida de um homem não valia nada. Qualquer motivo, sempre absurdo, poderia condenar o sujeito a morrer por sangramento. Matava-se compulsivamente.

Ainda assim, Lampião conquistou uma improvável fama de benfeitor, de aliado dos pobres e de inimigo de poderosos. É uma contradição exposta, que indica a complexidade na essência do cangaço. Por isso mesmo, é cada vez mais importante – além de atual – o debate amplo e múltiplo sobre aqueles fatos que nos deixaram um legado definitivo.

A revista traz ainda reportagens que mostram como o cangaço foi representado no cinema, na literatura e nos folhetos de cordel. Pela profusão de obras, não resta dúvida quanto ao fascínio que o universo dos cangaceiros despertou na arte produzida no país.

Evidentes, cruciais, as marcas do cangaço em Alagoas estão devidamente contempladas na edição da revista: personagens, relatos e imagens traduzem o impacto e o alcance do fenômeno em nosso estado.

Pelo volume de informações reunidas, a Graciliano dá uma contribuição importante também a estudantes e pesquisadores que se dediquem ao assunto.

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