Bienal 2015
“Eu gosto mais de futebol do que do meu time”

“Eu gosto mais de futebol do que do meu time”

Texto por Luís Gustavo Melo

Após receber durante a semana, escritores, filósofos e músicos de destaque no cenário nacional, a bienal trouxe no fim da tarde dessa última sexta-feira, um dos mais respeitados nomes do jornalismo esportivo no país: o paulistano Paulo Vinícius Coelho, o famoso PVC, atual comentarista do canal a cabo Fox Sport.

Conhecido por sua memória prodigiosa e vasto repertório, ele é capaz de citar formações de times e episódios ocorridos nos gramados há décadas, como que redescobrindo histórias que pareciam enterradas para sempre. PVC participou de um bate-papo na sala Jatiúca, onde um público ávido por troca de ideias marcou presença de forma expressiva.

Paulo Vinícius Coelho, que há mais de 20 anos construiu uma trajetória na imprensa esportiva como repórter de diversos veículos impressos e, por 14 anos, como comentarista do canal ESPN, tem oito livros publicados. Os dois últimos, Tática Mente (Panda Books) e O Planeta Neymar (Companhia das Letras), foram lançados no ano passado.

Demonstrando a mesma firmeza de convicções que o público se habituou acompanhar nos debates na TV, PVC falou bastante sobre jornalismo e futebol, deixando claro, desde o primeiro momento, que como profissional sabe separar bem suas preferências particulares como torcedor de sua função como agente de informação. “Eu gosto mais de futebol do que do meu time”.

Ao longo de pouco mais de uma hora e meia de conversa, o jornalista falou sobre corrupção e política no futebol; sobre a atuação de “jogadores de grife” como comentaristas, apontando, neste caso, que a função não é exercida satisfatoriamente por qualquer um, e sobre o exercício do jornalismo no meio televisivo. “Jornalismo é uma coisa que se faz antes de entrar no ar. Ao vivo é televisão, é um show. Há quem prefira o entretenimento e há quem prefira a informação pura e simplesmente. É uma questão de escolha”, disse ele.

Outro assunto que surgiu durante o encontro foi o da última Copa do Mundo. Mais de um ano após o desastroso desempenho da seleção brasileira durante a disputa, o episódio da desclassificação do grupo formado pelo técnico Luiz Felipe Scolari foi uma pauta de destaque no bate-papo. “O peso de jogar a Copa em casa caiu em todo mundo”, ponderou PVC. “O 7×1 não é o retrato do futebol brasileiro. O Brasil não se tornou uma Albânia. Ainda somos a elite do futebol”.

Enfático em relação ao espaço de atuação do jornalista em meio às mudanças no ambiente da comunicação e à crise que as mídias tradicionais atravessam, Paulo Vinícius comentou que é preciso encontrar um novo caminho para que o profissional continue a desempenhar papel relevante.

“A gente vai ter que inventar uma comunicação que [ainda] não existe. Como é que eu vou fazer o meu conteúdo na TV, interferir com o cara que está com um iPad na mão? Essa nova forma de comunicação a gente vai ter que inventar. Como a gente vai fazer para essas duas telas interagirem, como a gente vai resolver isso? Eu não sei.”

Em dias de turbulência generalizada, com a imprensa no centro de imprevisíveis mudanças, PVC afasta certezas fáceis e vê oportunidades: “A gente sabe é que há uma crise, que é resultado de uma transformação profunda, evidenciada muito em função dessa multiplicação de mídias. Hoje há muita informação; umas 500 coisas ao mesmo tempo, e a gente vai ter que fazer isso funcionar como uma comunicação só. Como vai ser feito, eu ainda não sei… Sei que essa crise pode gerar oportunidade, se a gente conseguir olhar para o mundo de um jeito diferente”.

Compartilhe

Posts Relacionados

Responder

Seu e-mail não vai ser publicado. Required fields are marked *