Bienal 2015
O ninho do poeta

O ninho do poeta

Texto por Luís Gustavo Melo

Considerado por vários críticos e escritores como dono de uma estética única no cenário da literatura brasileira, em mais de seis décadas de atividade, Lêdo Ivo transitou com maestria pelos mais diversos gêneros literários. O poeta e crítico Ivan Junqueira, por exemplo, reconhece em sua obra uma “mistura heterodoxa e arbitrária de memorialismo, poesia, prosa de ficção e pensamento aforismático”.

Autor de cerca de 50 livros – entre romance, poesia, conto e crônica –, o alagoano tem em seu romance Ninho de Cobras, título lançado originalmente há mais de 40 anos, a obra-prima de sua vasta produção literária.

Fora de catálogo há bastante tempo, o livro acaba de ser relançado com a chancela da editora da Imprensa Oficial Graciliano Ramos. A obra foi um dos títulos mais vendidos na Bienal Internacional do Livro de Alagoas, tendo esgotado a tiragem inicial.

A nova edição é enriquecida com um posfácio do professor e pesquisador Gilberto Araújo e por textos de Ivan Junqueira, Gonçalo Ivo e do poeta Fernando Fiúza.

A mesa-redonda formada por especialistas na obra do romancista debateu o legado de Lêdo Ivo no encerramento da bienal do livro

Para celebrar a obra na bienal do livro, o encontro teve início com a palestra “As Janelas de Lêdo Ivo”, ministrada pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Gilberto Araújo, seguida por uma mesa-redonda mediada pelo jornalista Célio Gomes, com participação de Fernando Fiúza, do cineasta Werner Salles e do poeta Charles Cooper.

Na palestra, o professor Gilberto Araújo fez uma análise da trajetória literária de Lêdo Ivo, a partir da perspectiva da produção do autor menos identificada com sua terra natal. Ele abordou o contraponto entre a chamada geração de 45 – da qual Ivo fez parte –, e o ideário do modernismo de 22 e o regionalismo em voga naquele período.

Durante a mesa-redonda, num crescendo de relatos eloquentes a cerca das experiências e do envolvimento pessoal de cada um com a obra de Lêdo Ivo, os participantes conseguiram compor com fluidez um perfil múltiplo do autor e do próprio livro Ninho de Cobras, tema do debate.

Em um dado momento do encontro, o poeta Fernando Fiúza ressaltou o lado documental do livro – e o momento oportuno para o relançamento da obra que representa de forma tão vívida a capital alagoana no universo literário:

“[Ninho de Cobras] é um romance tão maceioense, que ele se preocupa em dar a descrição do nascimento, a data [da fundação da cidade de Maceió]. Nós estamos prestes a completar 200 anos da fundação da cidade, e essa data, cinco de dezembro de 1815, é descrita duas vezes, ali. Então, por esse lado documental, eu aprendi muito sobre a história de Maceió, lendo o livro. E, por uma feliz coincidência, a cidade está comemorando os 200 anos e este livro está sendo relançado”.

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