Revista Graciliano
Maceió, uma pauta sem limites

Maceió, uma pauta sem limites

A data de aniversário é apertada para comemorações. O nascimento de Maceió num 05 de dezembro deixa o calendário curto – curiosamente, por uma questão de tempo: menos de um mês para pensar sobre 200 anos de existência de uma capital brasileira. É pouco. Sim, porque dias depois vem aquela noite da virada. E bola pra frente. Por isso, o tema do bicentenário da cidade está na ordem do dia na Graciliano – e continuará em pauta quando 2016 bater.

E é com você, leitor, cidadão, que queremos pensar. Pensar alguma coisa sobre o aniversário de uma cidade. Quer dizer, não exatamente sobre o aniversário da cidade – não do jeito como se viu nos últimos meses, nas derradeiras semanas do ano e, menos ainda, como se viu, pegando fogo, nos últimos dias nas peças oficiais do poder público. A festa de dois séculos foi mesmo de arrebentar.

Já a abordagem da imprensa (local e nacional) honrou impecavelmente as melhores tradições nesse tipo de cobertura jornalística. Nenhuma surpresa. Que se reconheça a obediência obsessiva a um padrão que se vende como ideal. Com rejeição instantânea a quaisquer roteiros alternativos, a paisagem é única e a ideia massacrante beira a alienação: e tudo vira um paraíso governado pela emoção: minha sereia andando sob o sol do crepúsculo, tomando água de coco, pegando onda numa nova modalidade de surf, deslumbrando-se entre falésias ao norte e ilhas naturais ao sul… As comidinhas típicas, os drinks mais pedidos e as baladas onde o clima é quente…

Numa combinação primordial, para que tudo dê certo nesse longa-metragem de exaltação aos dois séculos de existência da capital de Alagoas, tudo é gravado em poéticos planos dronematográficos. Porque, como não resta dúvida, tudo mudou na arte do cinema com a chegada dos drones – uma espécie de câmera fotográfica sem fotógrafo.

E foi assim que, durante este mês de celebrações, dezembro, nossa cidade, Maceió, virou um case exibido em todos os suportes, do velho papel de jornal aos efeitos tridimensionais em telas, paredes e cenários virtuais, nas redes sociais, nas velhas redes (aquelas de TV), na grande imprensa. Uma pauta sem limites para recortes – celeiro de hipóteses perturbadoras e janela para desafios – assim foi tratada pelo que há de melhor no jornalismo brasileiro. Tudo lindo, dizem as pessoas. E vamos nessa toada.

As transformações de um lugar. As marcas de uma cidade que já não existe. Os vestígios de uma época; a existência de homens e mulheres cujas lembranças se perderam. Nossa história circular. Nossa memória coletiva. Bem, algo com essa densidade aí passa pelas páginas do número 25 da revista Graciliano, que acaba de sair da nossa gráfica para os leitores. Para homenagear Maceió, o jornalismo que a cidade merece.

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