Literatura
Cinco novos poetas

Cinco novos poetas

A literatura se transforma e autores vão surgindo para que se reafirme o impulso permanente de criação no homem. Ainda que, vez por outra, previsões sombrias apontem para o fim de todas as coisas – incluindo aí a morte da arte –, a poesia será sempre necessária.

É por isso que precisamos do olhar atento para detectar novos criadores que têm o que dizer. Aqui chamamos atenção para cinco nomes que surgem agora na poesia, com obras editadas pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos.

Além de marcarem a estreia desses autores e de terem sido contemplados por meio de edital – que lançará mais nove livros inéditos até o fim de outubro –, o que esses cinco títulos têm em comum? Nada. Ainda bem. Afinal, ao mergulhar em suas páginas, o leitor encontrará uma produção tão diversificada quanto instigante.

Sem a pretensão de resenhar cada obra – afinal são muitos os aspectos que se poderia abordar quanto ao estilo dos autores –, vamos a algumas palavras sobre os cinco títulos que estão chegando ao público leitor. Certo é que são nomes que chegam para agitar a produção literária em Alagoas.

Em Areia em Rolimã, Rafael Aquino apresenta, entre outras particularidades, uma poesia que reelabora acontecimentos e impressões da infância – mas sem qualquer apelo fácil em sua escrita. Ao contrário, temos requinte, sobriedade e precisão na arquitetura do poema. Sem dúvida, eis um novo poeta que parece burilar cada linha que escreve até o limite da obsessão.

Cleiton Rocha celebra o verso metrificado, a rima inesperada e as várias formas fixas consagradas pela longa história da literatura universal. Nas páginas de Passavida e Artefato o leitor mergulha num diversificado painel de sonetos, quadras, sextilhas e haicais, tudo matematicamente construído, com rigor e sensibilidade.

Delírios visuais que transformam a paisagem da cidade, flagrantes do cotidiano e sensações inexplicáveis. Para traduzir sua inquietação ao olhar o mundo, Arthur Buendía se vale da fragmentação, do jogo de referências e da palavra coloquial. É assim que o poeta estreia em Deriva nas Ruínas, um volume de poemas em que a metalinguagem sai revigorada.

Com poemas curtos e estilo direto, Thomas Schaeffer Bernardes alcança densidade necessária para provocar no leitor aquela inquietação própria do diálogo com o objeto de arte. Na concisão, com textos deliberadamente descritivos, limpos de qualquer enfeite ou maneirismos, Dígitos Parcos revela um poeta atento ao essencial desse jogo permanente da linguagem literária.

A poesia de Matheus Santana, autor de Abxtrato & Outros Temperos, interroga sobre o sentido da arte e enfrenta o dilema acerca do próprio poeta. Com versos breves e despretensiosos, o autor explicita sua verve confessional, mas também explora outras possibilidades com a palavra – como se vê na segunda parte do livro.

As cinco obras serão entregues aos autores em 20 de junho e, a partir daí, podem ser encontradas nas livrarias e na sede da Imprensa Oficial. Depois, é com você, leitor urgente e necessário, a missão de, na leitura, ampliar a dimensão de tudo o que foi escrito aqui. Afinal, cada olhar é único, assim como cada poeta tem sua palavra precisa a nos dizer.

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